Eduardo Paes impede candidatura de deputada ligada a milícia

Eduardo Paes impede candidatura de deputada estadual Lucinha, citada em investigações de ligação com milícia, para reforçar discurso de segurança em sua campanha ao Governo do Rio.

Eduardo Paes impede candidatura de deputada ligada a milícia

Eduardo Paes, pré-candidato do PSD ao Governo do Rio de Janeiro, decidiu barrar a candidatura da deputada estadual Lucinha à reeleição. A parlamentar, portanto, não deverá ter legenda do partido para disputar um novo mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nas eleições de outubro. A decisão, segundo interlocutores da campanha, vai além do risco de contestação judicial da candidatura e busca reforçar o discurso de segurança pública.

## Sinalização Política em Segurança

A retirada de Lucinha da chapa proporcional é vista como uma estratégia de Paes para sinalizar que um eventual governo seu priorizará o combate ao crime organizado e a retomada de territórios controlados por facções e milícias. Aliados do pré-candidato afirmam que a medida visa construir um discurso mais rígido sobre segurança, defendendo a recuperação da autoridade do Estado em áreas dominadas por grupos armados. A permanência da deputada na chapa passou a ser considerada um potencial foco de desgaste.

## Acusações e Processos Judiciais

A trajetória recente de Lucinha foi marcada por investigações e acusações judiciais. A mais proeminente envolve alegações de ligação com a milícia de Luís Antônio da Silva Braga, o Zinho. Investigações da Polícia Federal e denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) apontam que a deputada teria atuado em defesa dos interesses do grupo criminoso em bairros da Zona Oeste, repassando informações sobre agendas de Eduardo Paes para que integrantes da milícia evitassem a presença de autoridades. A defesa da deputada nega veementemente qualquer participação em atividades ilegais e alega que as investigações se baseiam em interpretações equivocadas e conversas fora de contexto.

## Histórico de Afastamento e Anulação

Em dezembro de 2023, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou o afastamento cautelar de Lucinha do mandato. Contudo, em fevereiro de 2024, a Alerj derrubou essa decisão, permitindo seu retorno ao cargo. Posteriormente, em agosto de 2024, Lucinha foi condenada por peculato pelo mesmo tribunal, sob a acusação de que um assessor parlamentar pago com verba pública teria trabalhado em centros comunitários ligados ao seu grupo político. Essa condenação, porém, foi anulada em outubro de 2025 por decisão monocrática do ministro Reynaldo Soares da Fonseca, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que considerou que a conduta não se enquadrava como peculato conforme a interpretação dos tribunais superiores. Atualmente, a deputada se considera vítima de perseguição política enquanto os processos seguem em tramitação.