Dossiê para Trump prejudica Flávio Bolsonaro com eleitores indecisos

Dossiê de Flávio Bolsonaro sobre tarifas e Pix enviado a Trump gera desconfiança em eleitores pendulares, beneficiando Lula, aponta pesquisa.

Dossiê para Trump prejudica Flávio Bolsonaro com eleitores indecisos

Um dossiê de 86 páginas enviado por Flávio Bolsonaro ao governo dos Estados Unidos, solicitando a suspensão de tarifas sobre produtos brasileiros por 180 dias, teve uma recepção negativa entre eleitores pendulares. Este grupo, que alterna seu voto entre esquerda e direita, é considerado decisivo em disputas presidenciais polarizadas. A conclusão é da oitava rodada de pesquisa qualitativa do Instituto Democracia em Xeque.

De acordo com o levantamento, os entrevistados percebem que Flávio Bolsonaro demonstrou mais preocupação com o impacto eleitoral das tarifas do que com a defesa dos interesses empresariais brasileiros afetados. A menção ao Pix na carta enviada ao então presidente Donald Trump também foi mal interpretada, vista por alguns como um gesto em favor de empresas americanas de cartões de crédito, em detrimento de uma inovação brasileira popular.

O pré-candidato do PL à Presidência pode estar perdendo não apenas confiança, mas também autonomia narrativa entre esse segmento do eleitorado. A pesquisa sugere que a percepção é de que ele age mais como uma extensão de uma família envolvida em conflitos e subordinada aos interesses dos EUA, com pouca atenção aos interesses da população brasileira.

Flávio Bolsonaro estava inscrito para falar na Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos (USITC), em Washington. Contudo, pela terceira semana consecutiva, sua agenda foi marcada por polêmicas, justificativas consideradas insuficientes e pela sensação de omissão de fatos, segundo a pesquisa.

Nesse contexto, a pesquisa qualitativa indica um avanço do presidente Lula entre os eleitores pendulares. Embora não gere entusiasmo, Lula é percebido como mais ligado a políticas sociais e mais alinhado à defesa dos interesses do Brasil. Os eleitores distinguem uma boa relação com os EUA de uma postura de submissão.

A defesa do Brasil feita por Lula é vista de forma positiva, apesar de críticas pontuais a um discurso "antiamericanista". A pesquisa também avalia que o impacto do envolvimento de Jaques Wagner, ex-líder do governo no Senado, perdeu força, embora o episódio tenha reaberto suspeitas sobre proteção a aliados no campo moral.