DER-RJ sem verba: obras essenciais paralisadas e risco iminente

DER-RJ enfrenta crise financeira com paralisação de obras essenciais e risco iminente em rodovias. Nova gestão busca saneamento com cortes e revisão de contratos.

DER-RJ sem verba: obras essenciais paralisadas e risco iminente

O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) do Estado do Rio de Janeiro enfrenta uma grave crise financeira, com ausência de recursos até mesmo para serviços básicos de conservação, como tapa-buracos e capina. A situação levou à paralisação de processos de manutenção que não são abertos há mais de três anos e coloca dez pontos em rodovias estaduais em “elevado grau de risco”, com potencial de afetar a segurança da população.

## Crise de Caixa e Obras Prioritárias

Um exemplo da precariedade é o Viaduto de Alcântara, em São Gonçalo, onde motoristas reclamam de buracos e pedestres se assustam com rachaduras e ferragens expostas. Fragmentos de concreto e vazamentos de água são comuns no local, classificado como de alto risco. A presidência do DER entregou ao governador em exercício uma lista de dez obras prioritárias de conservação e manutenção de encostas que necessitam de crédito suplementar. Apesar de um orçamento anual de aproximadamente R$ 718 milhões, o órgão não dispõe de fundos para a manutenção essencial.

## Medidas de Saneamento e Revisão de Contratos

A nova gestão, liderada pela coronel Gabryela Reis Dantas desde junho, busca reestruturar o órgão. Foram exonerados 79 funcionários em cargos comissionados considerados “fantasmas” e está em andamento um concurso público para preencher 35 vagas efetivas, além de um cadastro de reserva. Desde 2009, não havia seleção para o quadro permanente, resultando em um corpo técnico com alta porcentagem de profissionais com mais de 30 anos de serviço.

Uma corregedoria foi criada para analisar todos os contratos em vigor, após o Tribunal de Contas do Estado (TCE) ter apontado inconsistências e suspeitas de sobrepreço em gestões anteriores. Um contrato para instalação de 390 radares, avaliado em cerca de R$ 250 milhões, foi suspenso pelo TCE. Outros contratos, como o de segurança armada, de R$ 14 milhões anuais, estão sob escrutínio devido a irregularidades, como a ausência de armamento dos vigilantes.

## Cortes e Economias Implementadas

Para reduzir despesas e direcionar recursos para serviços essenciais, como contas de luz e água, a nova administração implementou cortes significativos. A devolução de 21 veículos alugados de uma frota de 62 gerou uma economia mensal de R$ 285 mil em combustível e garagem. A extinção do uso de um cartão corporativo com limite de R$ 20 mil e a redução de estagiários em um convênio com a Uerj (com corte de coordenadores que recebiam adicional de R$ 5.500) também contribuíram para a economia. A devolução de aparelhos celulares gerou R$ 250 mil de economia mensal.