Democracia Americana em Risco, Alerta Autor de 'Como as Democracias Morrem'
Steven Levitsky, autor de 'Como as Democracias Morrem', alerta que a democracia americana enfrenta um teste crucial nas eleições de novembro, criticando a apropriação de datas cívicas e a fragilidade do sistema republicano.

Em meio às celebrações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, o cientista político Steven Levitsky, coautor do aclamado livro 'Como as Democracias Morrem', expressa profunda preocupação com o estado atual da democracia americana. Segundo o especialista, as festividades cívicas, embora importantes, tornam-se insuficientes diante das ameaças que pairam sobre o sistema republicano, especialmente com a proximidade das eleições presidenciais de novembro.
Levitsky critica a tendência de personalização de datas históricas e institucionais, observando como figuras políticas buscam se apropriar de momentos de celebração nacional para fins de campanha. Ele aponta para o uso das comemorações da independência, planejadas originalmente por uma comissão do governo Barack Obama, que foram em parte capturadas pela narrativa política de Donald Trump. O disparo recorde de fogos de artifício na capital, embora visualmente impactante, é visto pelo autor como um símbolo superficial de um debate democrático cada vez mais fragilizado.
## Eleições de Novembro: Um Teste Crucial
O cientista político enfatiza que as eleições de novembro representam um ponto de inflexão para os Estados Unidos. A disputa eleitoral em curso é marcada por um intenso debate sobre a integridade do processo democrático e a fidelidade aos princípios republicanos. Levitsky vê o pleito como um teste severo para a resiliência das instituições americanas e para a capacidade do eleitorado de discernir entre a retórica populista e a defesa das bases democráticas.
O autor de 'Como as Democracias Morrem' expressa ceticismo quanto à minimização da influência de Trump em outras democracias nas Américas, sugerindo que o fenômeno de "Trump 2.0" e suas implicações para a estabilidade democrática merecem atenção em escala global. A forma como a democracia americana lida com seus desafios internos pode ter repercussões significativas para o continente.
## Fragilidade Democrática e o Futuro da República
Levitsky não detalha em sua análise os mecanismos específicos de ameaça à integridade eleitoral, mas a menção a esse ponto reforça a gravidade do momento. A crença na solidez das instituições democráticas americanas, que por muito tempo serviram de modelo, agora é posta à prova. A celebração da independência, neste contexto, adquire um tom de alerta, lembrando que a democracia é um processo contínuo e que exige vigilância constante de seus cidadãos e líderes.
A reflexão de Levitsky, realizada em entrevista ao GLOBO, sublinha a importância de não apenas celebrar os marcos históricos da independência, mas de garantir que os valores democráticos que a fundamentaram sejam preservados e fortalecidos para as gerações futuras. A fragilidade democrática não é um problema exclusivo dos EUA, mas a forma como a principal potência mundial lida com ela pode definir tendências globais.