Decisões dos EUA Ditão Risco Geopolítico Brasileiro, Diz Relatório
Relatório da Arko Advice aponta que decisões dos EUA, como designação de facções como terroristas e tarifas comerciais, impactam o risco geopolítico e as eleições brasileiras.

O cenário geopolítico brasileiro está intrinsecamente ligado às decisões tomadas pela Casa Branca, especialmente sob a administração de Donald Trump. Essa é a principal conclusão de um relatório recente da consultoria política Arko Advice, que avalia o risco do Brasil em uma escala de zero a cem, atribuindo uma nota de 48 e indicando uma tendência de agravamento.
Segundo o estudo, a influência da geopolítica nas eleições brasileiras deste ano é inédita, comparável apenas ao período pós-Segunda Guerra Mundial em 1945. O CEO da Arko Advice, Murillo de Aragão, ressalta que as questões internacionais terão um impacto doméstico e eleitoral significativo, alterando as narrativas dos candidatos e potencialmente prejudicando ambos os lados do espectro político.
## Fatores de Risco Diretos
Dois principais fatores emanados dos Estados Unidos pesam sobre o Brasil. O primeiro é a possível designação de facções criminosas brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho, como grupos terroristas. Tal medida, segundo a Arko Advice, gera repercussões diplomáticas e financeiras, com potencial para agravar o cenário eleitoral. Sanções do Departamento do Tesouro americano contra empresas ou indivíduos ligados a essas facções também são vistas como um risco.
Um embate diplomático já se estabeleceu entre Brasil e Estados Unidos sobre o tema. O Itamaraty expressou preocupação com a possibilidade de uso de força militar americana em território nacional e questionou os benefícios da classificação para o combate ao crime. Washington, por sua vez, classificou a hipótese de ataque como "absurda" e defendeu suas medidas de segurança.
## Impacto Econômico e Tarifário
Outro ponto de atenção é a instabilidade no Estreito de Ormuz e seu impacto no preço do petróleo. Mesmo com um cessar-fogo, a recuperação do tráfego marítimo é lenta e sujeita a novas trocas de ataques entre Irã e Estados Unidos. Antes do conflito, cerca de cem navios comerciais passavam pela região diariamente; com a trégua, o número caiu para 34. A volatilidade nos preços do petróleo e do diesel é vista como um gatilho direto para a inflação e o abastecimento no Brasil.
O relatório também aponta o impasse tarifário com os EUA como um fator de risco. Negociações sobre a imposição de tarifas de 25% pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) por supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil precisam ser monitoradas. Embora as tarifas em si não sejam consideradas um fator decisivo nas eleições, elas podem forçar uma readequação nas estratégias de campanha dos candidatos.