Cúpula da OTAN na Turquia: Guerra na Ucrânia e segurança em foco

Líderes da OTAN se reúnem na Turquia para discutir a guerra na Ucrânia, segurança no Estreito de Ormuz e defesa europeia, em meio a tensões e fortes medidas de segurança.

Cúpula da OTAN na Turquia: Guerra na Ucrânia e segurança em foco

Líderes dos países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) iniciam nesta terça-feira (7) uma cúpula em Ancara, na Turquia, que se estenderá até quarta-feira (8). O encontro, que reúne chefes de Estado e de governo, tem como pauta principal a guerra na Ucrânia, a segurança no estratégico Estreito de Ormuz e o fortalecimento da capacidade militar europeia. A reunião ocorre em um contexto de tensões entre os Estados Unidos e aliados europeus, especialmente em relação à condução do conflito com o Irã e à pressão americana por maior investimento em defesa por parte dos membros da aliança.

Um dos temas centrais da cúpula é a guerra na Ucrânia. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, está presente e deve ter encontros bilaterais, incluindo um com o presidente americano Donald Trump. Trump expressou otimismo sobre uma solução para o conflito, afirmando que ela está "mais próxima do que as pessoas imaginam". A discussão sobre a Ucrânia ganha urgência após uma nova ofensiva russa contra Kiev, que resultou em mais de 20 mortos, e um ataque ucraniano com drones à maior refinaria de petróleo da Rússia, na Sibéria.

Além da Ucrânia, a segurança no Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte mundial de petróleo, será abordada. Autoridades americanas indicam que a proteção do tráfego marítimo na região é uma prioridade para Washington. A administração Trump também pretende reiterar o pedido para que os aliados europeus aumentem seus gastos militares, visando reduzir a dependência da defesa coletiva dos Estados Unidos.

Em paralelo às discussões, a Europa avança em planos para ampliar sua capacidade de defesa. Reino Unido, Holanda, Finlândia e Polônia trabalham na criação de um mecanismo conjunto para aquisição de equipamentos militares até 2027. O Canadá, por sua vez, deve anunciar um grupo de países fundadores de um banco para financiar a renovação das capacidades defensivas dos aliados, além de ter confirmado a compra de 12 submarinos alemães.

A cúpula também é marcada por intensas medidas de segurança na Turquia. A cidade de Ancara foi transformada em uma fortaleza, com a mobilização de cerca de 70 mil agentes de segurança. Essas precauções geraram críticas de entidades de defesa dos direitos humanos e da mídia. Relatos indicam a detenção de ambientalistas, a negação de credenciamento para jornalistas de veículos críticos ao governo e a proibição de reuniões públicas e manifestações. Segundo autoridades turcas, as operações visam "desvendar as ações e atividades de organizações terroristas". A Associação de Jornalistas da Turquia e a Repórteres Sem Fronteiras expressaram preocupação com a liberdade de imprensa na cobertura do evento.

A reunião da OTAN, descrita como uma das mais importantes da história da aliança, busca também demonstrar a força diplomática e militar da Turquia, país que possui o segundo maior exército da OTAN. O encontro visa manter o compromisso dos EUA com a aliança e discutir o futuro da defesa europeia.