Cunha é suspeito de burlar alocação de emendas em Minas

PF suspeita que Eduardo Cunha usou servidora da Câmara para burlar alocação de emendas parlamentares em Minas Gerais. Ministro do STF bloqueou R$ 6 milhões do ex-deputado.

Cunha é suspeito de burlar alocação de emendas em Minas

Novos diálogos divulgados pela Polícia Federal (PF) e analisados pelo ministro Flávio Dino, do STF, indicam que o ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos-MG) teria orquestrado uma "burla" na alocação de emendas parlamentares. As mensagens trocadas com Mariângela Fialek, servidora da Câmara, sugerem que Cunha, sem mandato, direcionava verbas públicas para municípios de Minas Gerais, seu novo reduto eleitoral. Segundo a PF, o ex-presidente da Câmara buscava disfarçar a origem das indicações, atribuindo-as a outros políticos para evitar conflitos e garantir o fluxo do dinheiro. O ministro determinou o bloqueio de R$ 6 milhões de Cunha por suspeita de desvio.

As comunicações revelam a preocupação de Cunha em atribuir a autoria de emendas a parlamentares específicos para contornar problemas com destinatários ou outros políticos que também atuavam no estado, como Nikolas Ferreira e o senador Cleitinho Azevedo. Em uma das conversas, ele demonstra frustração com a complexidade da gestão de verbas em Minas Gerais, referindo-se à pulverização de interesses na região. A defesa de Cunha nega irregularidades, enquanto a de Mariângela Fialek afirma que sua atuação foi estritamente técnica.

A PF suspeita que diversas emendas foram "destinadas de maneira forjada" para ocultar o real interessado. A investigação aponta que parlamentares eram registrados como solicitantes de emendas que, na verdade, se originavam das indicações de Eduardo Cunha. A servidora, conhecida como "Tuca", teria demonstrado prontidão em auxiliar o ex-parlamentar nos trâmites.