Crise no Orçamento: Emendas Disparam 6.687% Após Fim do "Orçamento Secreto"

Emendas de comissão crescem mais de 6.600% após fim do orçamento secreto, levantando preocupações sobre transparência e fiscalização de verbas públicas.

Crise no Orçamento: Emendas Disparam 6.687% Após Fim do "Orçamento Secreto"

O volume de pagamentos realizados por meio de emendas de comissão no Brasil experimentou um crescimento vertiginoso de 6.687% entre 2022 e 2025. Esse aumento expressivo coincide com o fim do chamado "orçamento secreto" em dezembro de 2022, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que declarou a inconstitucionalidade das emendas de relator. O "orçamento secreto" era criticado pela dificuldade em identificar claramente os parlamentares responsáveis pela destinação dos recursos.

## Crescimento Alarmante dos Recursos

Os dados consolidados no portal Siga Brasil, do Senado Federal, revelam a magnitude dessa mudança. Enquanto em 2022 os pagamentos com emendas de comissão somaram cerca de R$ 136 milhões, o montante saltou para R$ 9,24 bilhões no ano passado. A trajetória mostra uma queda nos desembolsos de emendas de comissão durante a vigência do orçamento secreto, seguida por uma explosão após a decisão do STF.

Os valores detalhados indicam:

- 2020: R$ 268,5 milhões

- 2021: R$ 144,05 milhões

- 2022: R$ 136,14 milhões

- 2023: R$ 285,04 milhões

- 2024: R$ 8,28 bilhões

- 2025: R$ 9,24 bilhões

## Críticas e Questionamentos sobre Transparência

A principal crítica às emendas de comissão reside na alegada falta de transparência, especialmente através das chamadas "emendas de liderança". Nesses casos, o autor responsável é genericamente identificado como liderança partidária, obscurecendo a identidade do parlamentar que de fato indicou a emenda. O STF tem analisado essa situação, com o ministro Flávio Dino intimando os 21 partidos com representação no Congresso a prestarem esclarecimentos sobre a definição e distribuição dessas emendas.

Um estudo da Transparência Brasil apontou que a Câmara dos Deputados pagou R$ 1,3 bilhão em emendas sem possibilidade de identificação do beneficiário. A organização sugere que a concentração de verbas em bases eleitorais de políticos influentes e a pulverização para outros estados, sem identificação clara dos parlamentares, caracterizam uma apropriação de volumes maiores para estados de interesse. A Câmara, por sua vez, defende que a indicação de emendas segue regras de transparência e que não houve desvio de recursos, cabendo ao Executivo o pagamento.