Copa do Mundo: Neymar vira alvo de disputa política nas redes
Neymar e a Copa do Mundo se tornam palco de disputa política nas redes sociais. Políticos de direita e esquerda usam o desempenho da seleção e o atacante para mobilizar eleitores e criticar adversários.

A participação da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026, marcada pela eliminação após derrota para a Noruega, transformou-se em um palco de intensa disputa política digital, com o atacante Neymar Jr. no centro das atenções. Segundo levantamento da consultoria Bites, divulgado com exclusividade, cerca de 5 mil postagens de candidatos ao Planalto e ao Congresso Nacional abordaram o Mundial, e Neymar mobilizou 220 delas.
As publicações envolveram desde críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por uma declaração sobre o jogador como "primeiro convocado home office do mundo", até embates acirrados no campo da direita. A fala de Lula sobre Neymar gerou 28 menções entre candidatos, com a direita respondendo por 15 delas e alcançando 247 mil interações, enquanto a esquerda registrou 13 publicações com apenas 18,4 mil interações. A maioria dos posts críticos ao petista partiu de figuras como Flávio Bolsonaro (PL) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL).
Com Neymar responsável pelo último gol da seleção na competição, as menções ao atleta geraram 2,4 milhões de interações. A maioria dos posts foi de políticos de direita defendendo o jogador, com Flávio Bolsonaro obtendo o maior engajamento sobre o tema. Em contrapartida, políticos de esquerda adotaram um tom mais crítico, embora alguns aliados de Lula tenham comemorado o gol. O deputado federal André Janones (Rede-MG) foi um dos que criticaram o atacante em posts próximos ao governo.
A direita também explorou a camisa 22 do jogador Gabriel Martinelli, que também é marca registrada do PL, para associar o número às eleições. Um post de Flávio Bolsonaro sobre o tema alcançou mais de 341 mil interações, superando metade do total de 658 mil interações sobre o número.
## Divisões e Estratégias
André Eler, diretor técnico da Bites, destacou que "os políticos tentaram surfar na discussão da Copa, com o investimento na torcida pelo hexa". Ele observou que a direita buscou emplacar o tema da camisa 22, enquanto o debate sobre Neymar dividiu o bolsonarismo e os governistas.
A Copa como um todo mobilizou 4.850 postagens de 495 políticos, com quase 19 milhões de interações. O "sonho do hexa" gerou 1.116 menções de 263 políticos, envolvendo tanto o governo Lula quanto o bolsonarismo, e acumulando 2,2 milhões de interações. Lula desejou boa sorte à seleção e cobrou "raça e vontade", enquanto Flávio Bolsonaro apostou em resultados de jogos, inclusive com debates com seu pai.
A disputa política nas redes sociais durante a Copa do Mundo evidenciou como grandes eventos esportivos podem ser instrumentalizados por agentes políticos para ampliar seu alcance e engajamento, polarizando o debate público e refletindo as divisões ideológicas presentes no cenário nacional.