Congresso em Reta Final: Pautas Cruciais Travadas Antes do Recesso
Congresso Nacional adia votações cruciais de pautas como misoginia, combustíveis e dívidas rurais devido a falta de acordo entre partidos antes do recesso.

A uma semana do início do recesso parlamentar, o Congresso Nacional se encontra em um impasse na votação de pautas cruciais. Projetos de lei de grande relevância, como o que tipifica a misoginia como crime, a proposta que visa reduzir tributos sobre combustíveis e a renegociação de dívidas rurais, permanecem travados devido à falta de acordo entre as lideranças partidárias. A expectativa era de que essas matérias fossem encaminhadas antes da pausa, que se inicia em 18 de julho.
Na Câmara dos Deputados, o presidente Arthur Lira (PP-AL) visava votar o aumento do teto de faturamento para Microempreendedores Individuais (MEIs) antes do recesso. A proposta permitiria que MEIs com receita bruta anual de até R$ 130 mil fossem enquadrados na categoria e poderiam contratar até dois empregados. No entanto, um obstáculo surge na resistência do Palácio do Planalto em relação à revisão das faixas do Simples Nacional, medida que poderia gerar um impacto fiscal superior a R$ 50 bilhões anuais. Sem consenso, a votação tende a ser adiada para agosto.
Outra pauta que enfrenta dificuldades é o projeto que equipara a misoginia ao crime de racismo, com penas de dois a cinco anos de reclusão. Embora um relatório tenha sido aprovado simbolicamente na Câmara, parlamentares da oposição manifestaram objeções, alegando que o texto poderia abrir margem para a criminalização de pensamentos religiosos e opiniões. A deputada Tabata Amaral (PSB-SP) segue em negociações para buscar um acordo, mas o avanço é lento.
O Projeto de Lei Complementar (PLP) dos Combustíveis, concebido para mitigar os efeitos econômicos do conflito no Oriente Médio, também está parado. O objetivo é reduzir impostos sobre gasolina e etanol. Um dos pontos de discórdia era a retirada de subsídios governamentais à gasolina. Contudo, um acordo preliminar sugere a remoção do subsídio após a estabilização dos preços, o que pode viabilizar a votação na próxima semana, caso o consenso se mantenha.
No que diz respeito às dívidas rurais, o Senado já aprovou um texto que autoriza o uso do Fundo Social do Pré-Sal para criar linhas de financiamento para produtores afetados por eventos climáticos. O governo, porém, expressa preocupação com o impacto fiscal e busca alternativas. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) ainda não chegou a um consenso com o Executivo, que tenta adiar a votação na Câmara.
Adicionalmente, a análise de vetos presidenciais está suspensa por falta de acordo entre líderes e o governo. Diversos vetos, alguns com alto impacto orçamentário para a União, como os relacionados à Lei Orçamentária Anual (LOA) que aumentariam em R$ 393 milhões as emendas parlamentares, aguardam deliberação. O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), deu um prazo de 15 dias para a votação, mas ainda não há data definida para a sessão conjunta.
O cenário legislativo aponta para um possível adiamento de importantes discussões para o período pós-recesso, evidenciando a complexidade das negociações políticas no Congresso.