CNH Gratuita e Internação Involuntária: Novas Leis no DF e Brasil

Programa CNH Social oferecerá gratuidade na habilitação para baixa renda usando recursos de multas. DF sanciona lei de internação involuntária para pessoas em situação de rua, gerando críticas de especialistas.

CNH Gratuita e Internação Involuntária: Novas Leis no DF e Brasil

A partir de 2025, o Brasil poderá ver uma expansão no acesso à Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para pessoas de baixa renda por meio do programa CNH Social. A iniciativa, que visa promover inclusão social e oportunidades profissionais, prevê que órgãos de trânsito estaduais e do Distrito Federal utilizem recursos de multas para custear a formação de condutores. Para se qualificar, os interessados devem ter 18 anos ou mais, estar com o Cadastro Único (CadÚnico) atualizado e possuir renda familiar mensal dentro dos limites estabelecidos por cada estado. A inscrição e atualização do CadÚnico são feitas presencialmente nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras). O benefício abrange a gratuidade em todas as etapas do processo de habilitação, incluindo exames médicos e psicológicos, aulas teóricas e práticas em autoescolas, taxas de provas e emissão do documento. A descentralização do programa significa que cada estado definirá suas regras, como vagas, cronogramas, critérios de desempate e percentuais para públicos específicos, como mulheres e estudantes. O acesso à CNH pode abrir portas no mercado de trabalho, especialmente em setores como transporte de passageiros e entregas.

## Internação Involuntária no DF: Nova Lei e Debates

Enquanto o CNH Social expande oportunidades, o Distrito Federal sancionou uma lei que regula a internação involuntária de pessoas em situação de rua ou vulnerabilidade social. Publicada em edição extra do Diário Oficial, a norma, aprovada pela Câmara Legislativa, foi criticada por especialistas. A lei busca ampliar a rede de acolhimento e a integração entre saúde, assistência social, habitação, segurança e educação. Embora não especifique os locais de internação, estabelece critérios e estrutura para sua realização, prevendo parcerias com entidades privadas e comunidades terapêuticas para "curta duração".

Críticos apontam que a internação involuntária, prevista em leis federais para casos específicos de dependência química e transtornos mentais, não deveria ser tratada como política pública. Especialistas da UnB e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) ressaltam a importância de uma avaliação psiquiátrica estruturada e alertam para o risco de o DF financiar serviços privados em vez de fortalecer o SUS. A legislação federal de 2001 e 2019 já permite a internação involuntária sob condições rigorosas, exigindo laudo médico e comunicação ao Ministério Público em até 72 horas, com término por solicitação familiar ou do especialista. A nova lei distrital, porém, ainda precisa ser regulamentada em até 90 dias.