Cármen Lúcia: Ataques à urna eletrônica são "apenas um resmungo"

Ministra Cármen Lúcia defende a segurança das urnas eletrônicas na Flip, classificando ataques como "resmungo". Ela lançou livro sobre voto e democracia no Brasil.

Cármen Lúcia: Ataques à urna eletrônica são "apenas um resmungo"

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) e ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Cármen Lúcia, minimizou nesta sexta-feira (24) as críticas e questionamentos sobre a segurança das urnas eletrônicas brasileiras. Em sua participação na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), ela classificou os ataques ao sistema como "resmungo e arenga", reforçando sua confiança na integridade e transparência do processo eleitoral.

## Confiança no Sistema Eleitoral

Com uma trajetória ligada à Justiça Eleitoral, incluindo dois mandatos como presidente do TSE, Cármen Lúcia afirmou ter "absoluta certeza da segurança, da rigidez e da transparência do processo eleitoral com a urna eletrônica". Ela destacou que o modelo brasileiro é reconhecido internacionalmente, com representantes de diversos países buscando conhecer seu funcionamento. "Nós fomos visitados pelo mundo inteiro por causa da urna eletrônica e desse modelo", ressaltou a ministra, sugerindo que os questionamentos atuais perderam força em comparação a períodos anteriores, como 2021 e 2022.

A declaração da magistrada surge em um contexto de persistentes questionamentos, como os promovidos pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que em reuniões com embaixadores levantou suspeitas sobre a segurança das urnas, citando relatórios sobre máquinas fabricadas pela Smartmatic. No entanto, o TSE já esclareceu anteriormente que a empresa venezuelana nunca forneceu urnas ou softwares para as eleições no Brasil.

## Lançamento de Livro e Reflexão sobre Democracia

A presença de Cármen Lúcia na Flip também marcou o lançamento de seu livro "Pela Mão do Povo – Voto e Democracia no Brasil". A obra, apresentada em um dos mais importantes eventos literários do país, oferece um panorama histórico sobre a evolução das formas de participação popular e escolha coletiva, desde períodos pré-históricos até as contemporâneas formas de voto.

O livro aborda desde as primeiras comunidades humanas até o desenvolvimento da democracia na Grécia, passando pelas Revoluções Francesa e Haitiana. A ministra explora as diversas Constituições brasileiras, analisando a incorporação de termos como "povo", "cidadãos" e "nação" ao longo da história. Uma linha do tempo detalha a evolução do voto, culminando com a informatização do processo eleitoral brasileiro, e artigos de historiadores complementam a obra com análises sobre a democracia, reformas institucionais, o movimento Diretas Já e a ampliação do direito ao voto no Brasil.