Carlos Lupi declara apoio a Lula após polêmica no INSS

Carlos Lupi, ex-ministro da Previdência de Lula e atual presidente do PDT, declara apoio formal à reeleição do petista. Sua decisão ocorre após ter deixado o ministério em meio a investigações de fraudes bilionárias no INSS.

Carlos Lupi declara apoio a Lula após polêmica no INSS

## Aliança Política e Histórico Conturbado

O atual presidente do PDT e ex-ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, anunciou formalmente seu apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A aliança foi firmada durante a convenção nacional do PDT, realizada em Brasília. Este movimento marca a primeira vez em 12 anos que o PDT decide apoiar um candidato petista já no primeiro turno de uma eleição presidencial. Lupi discursou no evento, destacando a importância da liderança de Lula não apenas para o Brasil, mas também para a democracia mundial, expressando a honra do partido em tê-lo como candidato.

## Investigações de Fraudes no INSS

A declaração de apoio ocorre em um contexto delicado para Lupi, que em maio do ano passado, pediu demissão do Ministério da Previdência. Sua saída se deu em meio a investigações sobre um esquema de fraudes e desvios de dinheiro que afetou aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Estima-se que o esquema possa ter desviado mais de R$ 6 bilhões. Documentos e inquéritos conduzidos pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pela Polícia Federal (PF) indicam que Lupi foi alertado sobre irregularidades em junho de 2023, mas medidas efetivas de combate às fraudes só foram implementadas a partir de 2024. Uma conselheira do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) chegou a solicitar discussões sobre Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) com entidades que realizam descontos na folha de pagamento de aposentados, mas o pedido foi inicialmente negado e, posteriormente, tratado como relevante, porém de difícil resolução imediata.

## Implicações e Histórico de Lupi

Além de Carlos Lupi, Alessandro Stefanutto, que ocupava a presidência do INSS e foi indicado por Lupi, também deixou o cargo em meio às suspeitas de corrupção e acabou sendo demitido. O histórico de Carlos Lupi inclui também a chefia do Ministério do Trabalho entre 2007 e 2011, período que se estendeu ao governo Dilma Rousseff. Naquela ocasião, ele renunciou após denúncias de envolvimento com recursos de ONGs conveniadas com o ministério, o que levou a uma recomendação de demissão pela Comissão de Ética da Presidência. A convenção do PDT também oficializou o apoio em diversas composições estaduais, incluindo o suporte às pré-candidaturas de Juliana Brizola (RS) e Requião Filho (PR) aos governos de seus respectivos estados. A última vez que o PDT apoiou um petista no primeiro turno foi em 2014, com Dilma Rousseff. Nas eleições de 2018 e 2022, o partido lançou Ciro Gomes como candidato próprio, mas apoiou o PT no segundo turno contra Jair Bolsonaro. Ciro Gomes deixou o PDT no final de 2025 e busca retornar ao governo do Ceará.