Carlos Bolsonaro será investigado na 1ª instância sobre "Abin Paralela"
Carlos Bolsonaro será investigado na 1ª instância pela "Abin Paralela". Ministro Alexandre de Moraes enviou o caso para a Justiça Federal do DF. Investigações contra Jair Bolsonaro foram arquivadas.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o envio da investigação sobre a chamada "Abin Paralela" contra o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) e outros suspeitos para a Justiça Federal do Distrito Federal. A decisão, tomada nesta segunda-feira (20), preserva todos os atos de investigação e provas já produzidos pela Polícia Federal (PF).
## Desdobramentos do Caso
A PF concluiu que 36 pessoas cometeram crimes ao usar ilegalmente ferramentas de monitoramento na Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A apuração trata da existência de uma estrutura clandestina que utilizava o sistema de geolocalização First Mile e outras ferramentas para monitorar ilegalmente autoridades públicas, jornalistas e ministros, sem autorização judicial. Carlos Bolsonaro é apontado como integrante do "núcleo político" da organização e teria coordenado o "Gabinete do Ódio", articulando campanhas de desinformação e ataques ao sistema eleitoral e ao STF.
## Arquivamento para Jair Bolsonaro e Outros
Alexandre de Moraes arquivou a investigação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, seguindo parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR). O ministro entendeu que a condenação de Bolsonaro na ação penal sobre a trama golpista, que resultou em 27 anos e três meses de prisão, já incluiu as acusações relacionadas ao monitoramento ilegal. O mesmo entendimento foi aplicado ao ex-diretor-geral da Abin Alexandre Ramagem, ao servidor Giancarlo Gomes Rodrigues e ao policial federal Marcelo Araújo Bormevet, cujas investigações sobre os mesmos fatos foram arquivadas.
Adicionalmente, Moraes arquivou as investigações contra a atual cúpula da Abin, incluindo Alessandro Moretti, Luiz Carlos Nóbrega Nelson, Luiz Fernando Corrêa, José Fernando Moraes Chuy e Lucio de Andrade Vaz Parente, por ausência de justa causa, conforme a decisão. A PF deverá cancelar os indiciamentos desses investigados.
## Quem Continua Sob Investigação
Com a remessa do caso à Justiça Federal do DF, permanecem sob investigação os seguintes suspeitos:
* **Núcleo político e assessores da Presidência:**
* Carlos Bolsonaro (organização criminosa)
* Luciana de Almeida (organização criminosa)
* Ricardo Wright Minussi (prevaricação)
* Daniel Ribeiro Lemos (organização criminosa, embaraço à investigação e peculato-desvio)
* José Matheus Salles Barros (organização criminosa e peculato-desvio)
* Mateus de Carvalho Sposito (organização criminosa e peculato-desvio)
* **Vetores de propagação e desinformação:**
* Richards Dyer Pozzer (organização criminosa, embaraço à investigação, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado)
* Rogério Beraldo de Almeida (organização criminosa)
* **Servidores e ex-dirigentes da Abin:**
* Carlos Afonso Gonçalves Gomes Coelho (organização criminosa, embaraço à investigação, supressão de documento, prevaricação e corrupção passiva privilegiada)
* Paulo Maurício Fortunato Pinto (organização criminosa, interceptação ilegal de comunicações, violação qualificada de sigilo funcional, peculato-desvio e prevaricação)
* Victor Felismino Carneiro (prevaricação, corrupção passiva privilegiada e violação qualificada de sigilo funcional)
* Alexandre do Nascimento Cantalice (prevaricação e falso testemunho)
* Alan Oleskovicz (prevaricação e peculato-desvio)
* Alexandre de Oliveira Pasiani (falsidade ideológica)
* Alexandre Ramalho Dias Ferreira (organização criminosa e prevaricação)
* Bruno de Aguiar Faria (violação qualificada de sigilo funcional)
* Carlos Magno de Deus Rodrigues (organização criminosa, vi...