Câmara ignora recesso e adia punição a deputados bolsonaristas
Deputados bolsonaristas envolvidos na ocupação da Mesa Diretora da Câmara em 2025 não serão punidos antes do recesso. O processo disciplinar aguarda decisão sobre recurso e pode ser adiado para após as eleições.

A Câmara dos Deputados iniciará seu recesso parlamentar sem resolver o processo disciplinar contra os deputados Marcel Van Hattem (Novo-RS), Zé Trovão (PL-SC) e Marcos Pollon (PL-MS). Os parlamentares estão sob investigação por sua participação na ocupação da Mesa Diretora da Casa em agosto de 2025, um ato que paralisou as atividades legislativas por cerca de 30 horas. A manifestação foi uma reação à prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
## Processo em Suspenso
O motim teve como objetivo pressionar o Congresso a debater a anistia para Bolsonaro e outros envolvidos em atos antidemocráticos. O episódio, que gerou críticas à gestão do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), encontra-se com o processo disciplinar estagnado. Em contraste, o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) já retornou às suas funções após cumprir uma suspensão de seis meses, aplicada pelo Conselho de Ética por agressão física a um militante em abril de 2024.
No caso dos três deputados da oposição, o Conselho de Ética aprovou em maio a suspensão de seus mandatos por 60 dias. Contudo, a punição ainda aguarda análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), uma vez que os parlamentares recorreram da decisão. O recurso apresentado por eles está pendente de despacho do presidente da Câmara, que decidirá sobre o encaminhamento do caso ao colegiado.
## Futuro Incerto no Congresso
A ocupação da Mesa Diretora levantou questionamentos sobre a autoridade e o comando de Lira. A assessoria do presidente da Câmara informou que ainda não há definição sobre quando este tema será despachado. Deputados com assento na CCJ indicam que a matéria não está na pauta e dificilmente avançará neste ano. Caso o recurso seja negado na CCJ, os deputados ainda terão a opção de recorrer ao plenário da Câmara antes de qualquer suspensão.
Marcel Van Hattem declarou que não foi contatado por Lira e que a CCJ provavelmente acatará o recurso, citando inconstitucionalidades no processo. Lideranças avaliam que a discussão do caso deve ser postergada para o segundo semestre ou mesmo para após as eleições de outubro. O recesso parlamentar tem início oficial em 18 de julho. Aliados de Lira sugerem que ele pode evitar confrontos com a oposição neste momento, especialmente com críticas recentes sobre sua aproximação com o Palácio do Planalto. Lira busca apoio de PT e PL para sua reeleição em 2027.