Caiado e Governo Acusam Flávio Bolsonaro de 'Conspirar' Contra Economia Brasileira

Ronaldo Caiado e Presidência da República acusam Flávio Bolsonaro de prejudicar o Brasil com atuação em audiência nos EUA sobre tarifas americanas.

Caiado e Governo Acusam Flávio Bolsonaro de 'Conspirar' Contra Economia Brasileira

O pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), e a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) criticaram veementemente a conduta do senador Flávio Bolsonaro (PL) em relação às tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. Ambos os lados consideram a atuação do senador como prejudicial à economia nacional e até mesmo como uma forma de "conspirar" ou "trair" o país.

Segundo Caiado, a participação de Flávio Bolsonaro em uma audiência nos Estados Unidos, onde ele teria se encontrado com o presidente Donald Trump pouco antes do anúncio do novo tarifaço, é "inaceitável". O governador de Goiás afirmou que a legislação sobre traição à pátria existe em "todos os países democráticos" e que o senador "conspirou contra a economia do país". Ele também criticou o posicionamento do Itamaraty, alegando que o órgão deixou de cumprir suas funções e passou a adotar "política de ideologia ao invés de política de estado".

Caiado também se manifestou sobre o pedido de adiamento das tarifas até depois das eleições, feito por Flávio Bolsonaro. Para o pré-candidato, isso cria um "falso positivo" para a população, questionando se o Brasil aceitaria as tarifas após o período eleitoral. "Não podemos criar um falso positivo para a população, ou seja: não seremos tributados até a eleição? Depois aceitaremos? Não!", declarou.

A Secom, por sua vez, divulgou uma nota acusando Flávio Bolsonaro de "traição à pátria" por "convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país". A secretaria enfatizou a diferença entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro. A nota também mencionou que, enquanto Flávio Bolsonaro "tentava politizar" as relações com os EUA, o governo brasileiro realizava reuniões técnicas com o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) para reverter as tarifas.

De acordo com a Presidência, o senador, acompanhado de Eduardo Bolsonaro, não se posicionou contrariamente às novas tarifas durante a audiência pública, mas sim "optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país". O Ministério das Relações Exteriores, através de suas redes sociais, chegou a afirmar que "traidores da pátria" deveriam um pedido de desculpas pelas tarifas impostas.

A audiência em questão faz parte de uma investigação do USTR com base na Seção 301 da legislação comercial americana, que analisa políticas do Brasil prejudiciais aos interesses comerciais dos EUA. A participação nas audiências públicas é aberta a interessados que se inscrevem previamente. O senador Flávio Bolsonaro teria afirmado que este era o "pior momento possível" para a imposição das tarifas, que beneficiariam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em ano eleitoral.