Caiado critica Itamaraty e cobra postura firme do Brasil em tarifas

Ronaldo Caiado critica Itamaraty e a política externa brasileira, alertando para a perda de capacidade de negociação diante de tarifas e restrições de EUA, UE e China.

Caiado critica Itamaraty e cobra postura firme do Brasil em tarifas

O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), criticou veementemente a atuação do Itamaraty e a condução da política externa brasileira, em um cenário de crescentes barreiras comerciais impostas por parceiros estratégicos. Durante a Agenda dos Presidenciáveis, promovida pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em Brasília, Caiado afirmou que o Brasil perdeu sua capacidade de negociação no cenário internacional.

Segundo o político, o país tem sido pressionado simultaneamente por Estados Unidos, China e União Europeia, sem apresentar uma resposta à altura de seu peso econômico. Essa avaliação ganha força diante de um ambiente externo cada vez mais restritivo para as exportações brasileiras, com novas tarifas e exigências sanitárias que ameaçam a competitividade dos produtos nacionais.

## Diplomacia e Interesses Nacionais

Ao abordar a política comercial, Caiado enfatizou a necessidade de uma diplomacia focada nos interesses do Estado brasileiro, criticando o que ele chamou de "excesso de influência ideológica" nas relações exteriores. Para o pré-candidato, é "inaceitável" que o Brasil se submeta a sucessivas medidas comerciais sem demonstrar força para negociar.

Ele citou a possibilidade de os Estados Unidos ampliarem tarifas sobre produtos brasileiros com base na Seção 301 de sua legislação comercial. Caiado também destacou que a União Europeia impôs novas exigências sanitárias para produtos como carne bovina, de frango, ovos e mel, e que a China elevou tarifas após o esgotamento de cotas de importação.

"Hoje, os americanos ameaçam com 25% pela Seção 301. A União Europeia estabelece novas restrições sanitárias. A China eleva tarifas. Onde está o Brasil nessa mesa de negociação? Qual é a estatura do país para sentar nessa mesa?", questionou Caiado, ressaltando a fragilidade da posição brasileira.

## Críticas a Adversários e Propostas

Caiado também alfinetou adversários políticos, considerando inadequada qualquer manifestação que defenda o adiamento de medidas comerciais por conveniência eleitoral, em referência a declarações sobre a política tarifária dos EUA. O pré-candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro, havia defendido o adiamento de medidas comerciais americanas.

Para o ex-governador, o foco do país deve estar em projetos estruturantes que ampliem a competitividade da economia. Ele mencionou investimentos em inteligência artificial, exploração de minerais críticos, biocombustíveis e fertilizantes como áreas estratégicas, lembrando que o Brasil possui recursos naturais para assumir uma posição mais relevante no comércio global.

Ao concluir o tema, Ronaldo Caiado reforçou que o Ministério das Relações Exteriores deve atuar na defesa dos interesses permanentes do Estado brasileiro. Segundo ele, o fortalecimento da capacidade de negociação é crucial para enfrentar o crescente protecionismo das principais economias mundiais.