Brasil prefere China a EUA em relações comerciais, aponta pesquisa
Pesquisa PoderData indica que 52% dos brasileiros preferem estreitar laços comerciais com a China, superando os EUA (35%), marcando uma inversão em relação a 2025.

Uma pesquisa recente revela uma mudança significativa na percepção pública brasileira sobre relações comerciais internacionais. De acordo com dados divulgados pela PoderData, 52% dos eleitores entrevistados consideram que o Brasil deve priorizar o estreitamento de laços comerciais com a China, em detrimento dos Estados Unidos. Apenas 35% defendem uma aproximação maior com os norte-americanos.
## Mudança de Cenário
Essa preferência atual representa uma inversão em relação ao cenário registrado no mesmo período do ano anterior. Em 2025, a mesma pesquisa indicava o oposto: 59% dos brasileiros viam com bons olhos uma maior relação comercial com os EUA, enquanto apenas 32% manifestavam preferência pela China. A pesquisa foi realizada entre 18 e 20 de julho, com 2.500 entrevistas em 147 municípios, apresentando uma margem de erro de 2 pontos percentuais.
O levantamento, que não se trata de intenção de votos, buscou entender a percepção geral sobre os parceiros comerciais do Brasil. A deterioração da imagem dos Estados Unidos entre os eleitores brasileiros já vinha sendo sinalizada em pesquisas anteriores. Um levantamento realizado entre 12 e 15 de julho, por exemplo, mostrou que 42% dos entrevistados acreditavam que um apoio do então presidente dos EUA, Donald Trump, a um candidato brasileiro teria um impacto negativo na campanha.
## Tensões e Aproximação
A instabilidade na relação Brasil-EUA tem sido marcada por divergências político-ideológicas e por medidas tarifárias. O governo Trump chegou a impor tarifas sobre produtos brasileiros, citando como justificativas tratamentos dados pelo Supremo Tribunal Federal a políticos brasileiros e práticas comerciais consideradas desleais. Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou críticas ao governo americano e defendeu a soberania nacional.
Paralelamente, as tensões com os EUA aceleraram a aproximação comercial com a China. Em 2025, o crescimento das exportações brasileiras para o mercado chinês compensou a retração causada pelas tarifas americanas. O valor enviado para a China cresceu 28,6% entre agosto e novembro, enquanto as exportações para os EUA caíram 25,1%. A expectativa é que essa tendência se fortaleça com novas tarifas impostas pelos Estados Unidos.
O presidente Lula tem mantido relações diplomáticas aquecidas com a China, com múltiplas visitas ao país asiático e recepção ao presidente chinês no Brasil. Essa estratégia diplomática e comercial busca diversificar os parceiros e fortalecer a posição do Brasil no cenário global, especialmente diante das incertezas nas relações com os Estados Unidos.