Brasil nega vistos a enviados dos EUA para discutir eleições
Brasil nega vistos a dois enviados americanos que buscavam questionar o sistema eleitoral. A decisão eleva a tensão diplomática e ocorre após outros atritos.

O governo brasileiro negou a entrada de dois integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Riley M. Barnes e Samuel Samson, que tinham o objetivo de viajar a Brasília para reuniões com autoridades eleitorais. A negativa, ocorrida na sexta-feira (25.jul.2026), intensifica os recentes atritos diplomáticos entre Brasil e Estados Unidos.
## Tensão Diplomática e Questionamentos Eleitorais
A decisão brasileira ocorre pouco mais de um mês após o Itamaraty revogar o visto de Darren Beattie, um subsecretário de Diplomacia Pública dos EUA e aliado de Donald Trump. Na ocasião, o governo brasileiro alegou que o objetivo real da viagem, que seria uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, não havia sido declarado na solicitação formal.
Os pedidos de visto de Barnes e Samson foram apresentados um dia antes de Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, levantar dúvidas sobre a segurança das urnas eletrônicas em um evento em Brasília. Durante o encontro, Flávio Bolsonaro citou documentos da CIA sobre supostas fraudes eleitorais na Venezuela e mencionou que urnas fabricadas pela Smartmatic poderiam ser utilizadas no Brasil. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) refutou a afirmação, declarando que a Smartmatic nunca forneceu urnas para as eleições brasileiras.
A proximidade desses dois eventos gerou a suspeita no governo brasileiro de que a missão americana buscava, na verdade, dialogar com o senador Flávio Bolsonaro.
## Interesses da Delegação Americana
Embora a solicitação formal indicasse que Barnes e Samson pretendiam se reunir com autoridades eleitorais brasileiras, representantes da Embaixada dos Estados Unidos sinalizaram, nos bastidores, que os dois também demonstraram interesse em encontrar Flávio Bolsonaro. Essa reunião, contudo, não constava na documentação oficial apresentada ao governo brasileiro.
A publicação do Washington Post revelou que o governo de Donald Trump planejava enviar esses integrantes para investigar e levantar questionamentos sobre a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro antes das eleições presidenciais de outubro.
A negativa dos vistos reflete uma preocupação maior do governo brasileiro com possíveis tentativas de influência externa no processo eleitoral. Segundo informações, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanham de perto episódios de interferência em eleições de outros países, como Hungria, Colômbia e Peru. O Planalto considera que a principal ameaça às eleições não reside no sistema de votação, reconhecido internacionalmente por sua segurança, mas sim em estratégias de desinformação e campanhas coordenadas que visam manipular a opinião pública.