Brasil nega visto a oficiais americanos que queriam questionar urnas

Brasil nega vistos a dois funcionários americanos que alegavam vir para discutir eleições, mas Itamaraty vê risco de instrumentalização política.

Brasil nega visto a oficiais americanos que queriam questionar urnas

O governo brasileiro negou a concessão de vistos a dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos, identificados como Riley Barnes e Samuel Samson. A decisão, comunicada na sexta-feira (24) pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), ocorreu após o governo brasileiro ter conhecimento do interesse americano em enviar os oficiais ao país. Segundo o Itamaraty, a justificativa oficial apresentada pelos EUA era realizar contatos eleitorais e discutir liberdade de expressão. No entanto, o Brasil interpretou a iniciativa como uma possível instrumentalização política, especialmente no contexto das eleições de outubro.

A negativa de visto ganha destaque após recentes questionamentos sobre as urnas eletrônicas por parte de políticos brasileiros. Um exemplo citado é a divulgação de informação falsa sobre os equipamentos por um pré-candidato à presidência, que alegou indevidamente que as urnas seriam da empresa venezuelana Smartmatic. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já desmentiu essa informação, reforçando que as urnas brasileiras são projetadas e produzidas sob coordenação de servidores da Justiça Eleitoral e por meio de licitações públicas.

Fontes diplomáticas indicam que o Itamaraty identificou movimentos que poderiam ter a intenção de questionar a credibilidade do sistema eleitoral brasileiro. Apesar da tradição do Brasil em receber observadores internacionais, a avaliação é de que os dois funcionários americanos não se enquadrariam nessa categoria. O Departamento de Estado americano, por sua vez, negou que os oficiais tivessem o objetivo de interferir nas eleições, afirmando que a visita seria para discutir a integridade eleitoral, liberdade religiosa e de expressão. O jornal "Washington Post" foi um dos primeiros veículos a noticiar os planos dos funcionários americanos de visitar o Brasil entre os dias 27 e 30 de julho.

O presidente do TSE, ministro Nunes Marques, tem agendada uma reunião com embaixadores, incluindo representantes dos Estados Unidos, no dia 17 de agosto, em Brasília, para explicar o funcionamento das urnas eletrônicas.