Brasil adia decisão sobre embaixador indicado por Trump

Brasil ainda não autorizou Daniel Perez, indicado por Trump para embaixador dos EUA. Nomeação enfrenta tensões diplomáticas e aguarda aval brasileiro após quebra de protocolo.

Brasil adia decisão sobre embaixador indicado por Trump

O Brasil ainda não concedeu o agrément, autorização formal necessária, para que Daniel Perez, indicado pelo ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, assuma o cargo de embaixador americano no país. A ausência deste aval impede que Perez inicie sua missão diplomática.

## Processo e Tensões Diplomáticas

Perez, conhecido por suas críticas a governos de esquerda na América Latina, foi anunciado por Trump em 1º de junho. Sua nomeação depende, além da aprovação brasileira, da confirmação pelo Senado norte-americano. Caso aprovado, ele sucederá Elizabeth Bagley, que deixou o posto no início de 2025. Desde então, os Estados Unidos mantêm apenas um encarregado de negócios no Brasil, Gabriel Escobar.

A indicação de Perez ocorreu em um contexto de negociações tarifárias entre os dois países e após visitas de Flávio Bolsonaro aos EUA. A nomeação de um embaixador é vista como positiva para o governo brasileiro, mas sua indicação a poucos meses das eleições presidenciais americanas adiciona complexidade.

Um ponto de atrito diplomático foi a quebra do protocolo usual. Tradicionalmente, a consulta sobre um nome para embaixador é feita em sigilo antes de qualquer anúncio público. No entanto, os EUA divulgaram o nome de Perez antes de formalizar o pedido de agrément e apresentar seu currículo ao Itamaraty. Essa inversão no processo gerou desconforto entre diplomatas brasileiros.

## Sabatina e Prioridades nos EUA

Cada país tem autonomia para definir o tempo de análise do histórico de um indicado, podendo inclusive não conceder a autorização. Um exemplo anterior foi a indicação de Marcelo Crivella para embaixador na África do Sul, que o Brasil retirou após meses de silêncio.

Enquanto aguarda a resposta brasileira, Daniel Perez passou por uma sabatina na Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA em 16 de julho. Nesta etapa, ele declarou que, se confirmado, defenderá eleições livres no Brasil, apoiará as instituições democráticas e a liberdade de expressão. Suas prioridades também incluem a proteção de cidadãos americanos, a promoção de interesses comerciais dos EUA, o combate ao tráfico de drogas e crime transnacional, e parcerias econômicas benéficas.

A sabatina ocorreu no mesmo dia em que Brasil e EUA trocaram críticas públicas sobre as novas tarifas americanas, classificadas pelo Brasil como interferência indevida. A situação adiciona uma camada de sensibilidade ao processo de nomeação do embaixador.