Bolsonaro e filhos são criticados por falta de estratégia e excesso de falas
Análise política aponta que a família Bolsonaro, incluindo o ex-presidente, peca pela falta de estratégia e previsibilidade em suas falas, ao contrário de Michelle Bolsonaro, vista como mais calculista.

A família Bolsonaro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus filhos, é frequentemente criticada por uma notória incapacidade de prever as consequências de suas ações e declarações. Segundo a jornalista Dora Kramer, em análise sobre o cenário político, o grupo demonstra uma tendência a se tornar 'prisioneiro da camisa de 11 varas que produzem com o que falam', uma metáfora para criar situações complicadas para si mesmos.
Kramer utiliza a expressão 'morrem pela boca' para descrever essa característica, comparando-os a peixes. O ex-presidente Jair Bolsonaro, por exemplo, teria perdido a oportunidade de reeleição devido a quatro anos de falas e ações consideradas absurdas, sem a devida mensuração de seus impactos. O senador Flávio Bolsonaro também é apontado como um seguidor desse caminho da inconsequência, com exemplos recentes que prejudicam sua imagem e posicionamento político.
Um dos episódios destacados é a tentativa de Flávio Bolsonaro de se distanciar de declarações controversas de seu irmão Eduardo, admitindo a responsabilidade por ações que afetaram as relações comerciais do Brasil com os Estados Unidos, especialmente em relação a tarifas impostas por Donald Trump. Essa postura, segundo a análise, demonstra falta de percepção sobre os interesses nacionais e abre brechas para o governo atual capitalizar politicamente.
Outro ponto levantado é a reação do senador Flávio Bolsonaro a uma pergunta do site The Intercept sobre suas ligações com Daniel Vorcaro, pouco antes da divulgação de um áudio comprometedor. A risada de escárnio e a negativa inicial, rapidamente desmentidas pelos fatos, deixaram uma marca de cinismo e mentira, dificultando a credibilidade em outras pautas, como a defesa do Pix.
A jornalista também ressalta as dificuldades enfrentadas na pauta de combate ao crime, devido a homenagens passadas a figuras ligadas à milícia e alianças políticas com indivíduos investigados ou inelegíveis no Rio de Janeiro. A falta de consistência nas falas e a incapacidade de antever os resultados de suas palavras e ações são vistas como obstáculos intransponíveis.
Em contrapartida, Michelle Bolsonaro é apresentada como um exemplo de estratégia e frieza. Kramer descreve a ex-primeira-dama como alguém que possui um roteiro bem pensado, demonstra controle emocional e, acima de tudo, uma visão estratégica, características que contrastam com a impulsividade atribuída ao ex-presidente e seus filhos.