Bolsa Família Perde Força Eleitoral; Eleitores Buscam Outros Fatores

Pesquisa indica que eleitores não priorizam mais o Bolsa Família ao votar, com queda na intenção para Lula e alta para Flávio Bolsonaro. Especialistas citam preocupações econômicas e maior complexidade do eleitorado.

Bolsa Família Perde Força Eleitoral; Eleitores Buscam Outros Fatores

A influência do Bolsa Família como fator decisivo no voto eleitoral parece estar diminuindo, segundo aponta uma pesquisa recente da Nexus/BTG. O levantamento, realizado entre os dias 10 e 12 de julho, revelou uma queda de 10 pontos percentuais nas intenções de voto para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre os beneficiários do programa social. Em contrapartida, o senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula, registrou um aumento de 12 pontos percentuais no mesmo segmento do eleitorado. A parcela de eleitores que declarou voto em branco, nulo ou em nenhum dos candidatos também apresentou crescimento, com alta de 4 pontos percentuais.

## Mudança de Prioridades do Eleitorado

Especialistas apontam que essa mudança reflete um eleitorado cada vez menos influenciado por políticas de caráter assistencialista, especialmente diante de um cenário econômico desafiador. O cientista político Lucas de Aragão, sócio da Arko Advice, observa que a população está mais preocupada com questões econômicas, como a inflação, o preço dos alimentos e o custo de vida geral. Apesar de recentes sinais de alívio inflacionário, a inflação acumulada nos últimos anos ultrapassa os 15%, o que pode gerar insatisfação entre os beneficiários do Bolsa Família, que não tiveram o programa reajustado neste mandato e ainda enfrentam um processo de revisão de cadastros.

## Bolsa Família como Política de Estado

Outro fator relevante é a percepção do Bolsa Família como uma política de Estado, e não mais atrelada a um governo específico. Governos anteriores mantiveram o programa, independentemente de sua filiação partidária. No entanto, isso não significa que as políticas sociais tenham perdido importância. Flávio Bolsonaro, por exemplo, já declarou que manterá o Bolsa Família caso seja eleito.

A pesquisa também sugere que os eleitores estão menos suscetíveis a serem convencidos apenas por propostas de campanha. Iniciativas recentes do governo Lula, como o Desenrola 2.0 e a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, não parecem ter tido o impacto desejado na popularidade do presidente. O eleitorado se tornou mais complexo, considerando um leque maior de fatores na decisão de voto, o que pode explicar o avanço de candidaturas de centro-direita em regiões antes consideradas redutos petistas.

A pesquisa Nexus/BTG ouviu 2.003 eleitores por telefone entre 10 e 12 de julho, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pelo BTG Pactual e registrado no TSE.