Bets no Brasil: Lula é mais culpado que Bolsonaro, diz pesquisa
Pesquisa indica que eleitores culpam mais o governo Lula pelo avanço das apostas online do que Bolsonaro, mas tema não decide voto.

Uma pesquisa recente aponta que o eleitor brasileiro tende a atribuir maior responsabilidade pelo crescimento das apostas online (bets) ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o levantamento More in Common / Ipsos-Ipec, 18% dos entrevistados responsabilizam a gestão petista pela expansão, enquanto apenas 4% associam o fenômeno ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, a maioria dos participantes (33%) entende que ambas as gestões compartilham a responsabilidade, e uma parcela expressiva (35%) acredita que nenhum dos governos é diretamente culpado.
## Responsabilidade em Segmentos
A tendência de culpar mais o governo atual se reflete entre os próprios eleitores de Lula, com 14% atribuindo a responsabilidade ao petismo e 8% ao governo anterior. Entre os apoiadores de Jair Bolsonaro, a percepção é ainda mais acentuada: 28% culpam o governo Lula, enquanto apenas 3% apontam para a gestão de seu pai. Para os eleitores de outros candidatos, brancos ou nulos, a diluição da responsabilidade é maior, com 15% culpando o governo Lula e 2% Bolsonaro, enquanto 42% culpam ambos igualmente e 32% não atribuem culpa a nenhum dos governos.
A pesquisa, realizada presencialmente com 2.000 pessoas entre 4 e 8 de julho, em 130 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais, também revelou que o tema das apostas online não é um fator decisivo na escolha do voto para a maioria dos brasileiros. Para 58% dos entrevistados, a posição de um candidato sobre a restrição das apostas não influenciaria sua decisão. Outros 24% indicam que apoiar a limitação de apostas tenderia a favorecê-los, e 12% o contrário.
## Contexto Histórico e Regulamentação
A legalização das apostas online no Brasil é anterior aos governos de Lula e Bolsonaro. Uma medida provisória editada pelo então presidente Michel Temer em julho de 2018 abriu caminho para a atividade, convertida em lei em dezembro do mesmo ano, ainda na gestão de Bolsonaro. A lei previa regulamentação em até quatro anos, prazo não cumprido pelo governo Bolsonaro, permitindo que as bets operassem legalmente, mas sem regras específicas. O governo Lula sancionou a Lei 14.790 em dezembro de 2023, estabelecendo normas para as apostas de quota fixa.
Segundo Pablo Ortellado, professor da USP e diretor da More in Common, a regulamentação promovida pelo governo Lula pode ter gerado a percepção de maior responsabilidade, apesar de a expansão ser um fenômeno complexo influenciado pela tecnologia e pelo comportamento individual dos jogadores. A omissão na regulamentação durante o governo anterior também contribui para a percepção de que o tema se tornou mais proeminente.