Aliados de Bolsonaro atacam voto feminino e prejudicam senador

Aliados de extrema-direita de Bolsonaro, como o influenciador Paulo Figueiredo, atacam o voto feminino, prejudicando a imagem de Flávio Bolsonaro em pesquisas e afastando eleitoras.

Aliados de Bolsonaro atacam voto feminino e prejudicam senador

A discussão sobre o direito ao voto feminino no Brasil remonta à Assembleia Constituinte de 1891, quando o deputado Costa Machado propôs restringi-lo a mulheres diplomadas, com bens e casadas. A proposta, que visava testar a "dignidade" das mulheres para exercerem o voto, foi defendida com argumentos de que a missão feminina era "mais doméstica do que pública", como argumentou o pintor Pedro Américo, deputado por Pernambuco. A conquista do direito ao voto feminino só ocorreu 41 anos depois, com o Código Eleitoral de Getúlio Vargas, e a equiparação completa aos homens em 1965.

Recentemente, a extrema-direita brasileira, em sintonia com movimentos nos Estados Unidos, ressuscitou o debate sobre a "qualidade" do voto feminino. O influenciador Paulo Figueiredo, associado a Eduardo Bolsonaro, fez declarações consideradas ofensivas, afirmando que "mulher vota estatisticamente muito mal", especialmente as solteiras, e que as casadas tendem a seguir o voto do marido.

## Impacto nas Pesquisas Eleitorais

Essas declarações e a conduta de outros aliados bolsonaristas parecem configurar um "esquadrão suicida" que prejudica a imagem de figuras como o senador Flávio Bolsonaro. Em abril, o senador apresentava um cenário favorável em simulações de segundo turno contra Lula em São Paulo, com 46% das intenções de voto contra 45%. Naquela ocasião, ele recebia 6 pontos percentuais a mais entre os homens, enquanto Lula tinha vantagem de 4 pontos entre as mulheres.

No entanto, após ser atingido pelo escândalo do Banco Master e antes mesmo das ofensas de Figueiredo, Flávio Bolsonaro passou a perder para Lula por 47% a 43%. A queda mais acentuada ocorreu justamente entre o eleitorado feminino, que agora demonstra uma preferência de 15 pontos a mais pelo petista. Essa dinâmica sugere que as falas e a postura de aliados extremistas têm alienado o voto feminino, um público crucial para o sucesso eleitoral.

## O Caos Bolsonarista e a Estratégia

A linguagem disruptiva e a comunicação via redes sociais tornaram-se marcas do bolsonarismo, distanciando-se das estratégias de marqueteiros tradicionais. Declarações politicamente incorretas e ofensas a adversários foram vistas como autenticidade para um eleitorado cansado de escândalos de corrupção. Contudo, nem todo o "caos" parece ser estratégia calculada.

A adoção de teorias antivacinais, sem grande relevância prévia no Brasil, foi apontada como um fator central na gestão da pandemia de Covid-19 pelo governo de Jair Bolsonaro, resultando em mais de 700 mil mortes e impactando a derrota em 2022. Paradoxalmente, à véspera da eleição de 2022, o então presidente voltava a crescer nas pesquisas. Atos de aliados, como o ataque de Roberto Jefferson à Polícia Federal e a perseguição de Carla Zambelli em São Paulo, foram lembrados como exemplos de extremismo que podem ter influenciado eleitores.

Atualmente, aliados de Eduardo Bolsonaro, alguns foragidos da Justiça brasileira, parecem promover rompimentos internos e defender pautas controversas como tarifas americanas, o fim do Pix e questionamentos ao voto feminino, enquanto enfrentam problemas judiciais e a desaprovação de parte do eleitorado. O cenário, para Lula, é descrito como uma "sorte" diante das controvérsias geradas por esses grupos.