Alemanha participará de exercício nuclear francês pela 1ª vez
Alemanha e França aprofundam cooperação estratégica com participação inédita de tropas alemãs em exercício nuclear francês. Acordos incluem IA, exploração espacial e defesa mútua.

A Alemanha anunciou que suas forças armadas participarão, pela primeira vez, de um exercício nuclear conduzido pela França ainda neste ano. Esta decisão marca um aprofundamento na cooperação estratégica entre os dois países europeus, em um contexto de possíveis reduções no compromisso de defesa dos Estados Unidos no continente.
## Fortalecimento da Dissuasão Europeia
O anúncio ocorreu durante um encontro entre o chanceler alemão, Friedrich Merz, e o presidente francês, Emmanuel Macron, na Base Aérea de Nörvenich. Na reunião do Conselho de Defesa e Segurança Franco-Alemão, os líderes também acordaram expandir a colaboração em áreas como inteligência artificial (IA), exploração espacial e tecnologia quântica. Merz declarou o desejo da Alemanha de fortalecer a dissuasão nuclear europeia, enfatizando que qualquer cooperação complementará os acordos existentes na OTAN. A França é o único país da União Europeia com armas nucleares próprias, enquanto a Alemanha abriga armamento nuclear americano.
Outros oito países europeus já colaboram com a França em questões nucleares, incluindo Reino Unido, Polônia, Holanda, Bélgica, Grécia, Suécia, Dinamarca e Noruega. Macron assegurou que a França manterá a responsabilidade total pelo financiamento de sua dissuasão nuclear.
## Ampliação da Cooperação Bilateral
Após a visita à base aérea, Macron foi recebido com honras militares em frente ao Palácio Augustusburg, onde ministros de ambos os países discutiram outros temas. A cooperação franco-alemã possui um histórico significativo, remetendo ao Tratado do Eliseu de 1962. Merz e Macron reafirmaram o compromisso com a defesa coletiva e a segurança, destacando objetivos como defesa antimísseis e sistemas de ataque de longo alcance. Ambos os países também trabalham no desenvolvimento de um sistema de "combat cloud" para conectar aeronaves e sensores.
Em outro ponto de convergência, Alemanha e França reconheceram a importância da energia de fusão nuclear para as futuras necessidades energéticas globais. Apesar de a Alemanha ter desativado suas usinas nucleares em 2024, o atual governo tem demonstrado interesse em reavaliar o programa. Os líderes também criticaram a China por práticas comerciais consideradas desleais, com apoio estatal excessivo à sua indústria.
Merz, ao ser questionado sobre a possibilidade de cooperação com a extrema-direita francesa, assegurou que a parceria entre Alemanha e França permanecerá inalterada, independentemente de quem vença as eleições francesas.