Alcolumbre reage a PT e eleva tensão com governo por pauta no Senado
Davi Alcolumbre reage a declarações do PT e eleva tensão com o governo. Presidente do Senado critica "ameaças" e sinaliza que pauta de interesse do Planalto só avançará após conversa com Lula.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), elevou o tom em sua disputa com o governo federal ao reagir a declarações do líder do PT na Câmara, Pedro Uczai. Uczai afirmou que Alcolumbre será tratado como "inimigo dos trabalhadores" caso não pautar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa acabar com a jornada de trabalho 6x1. A PEC, considerada prioridade máxima pelo governo, já foi aprovada na Câmara dos Deputados em maio, mas encontra-se paralisada no Senado.
Em resposta, Alcolumbre sinalizou a aliados que a tramitação de temas de interesse do Executivo na Casa só deverá ocorrer após uma conversa direta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, algo que, segundo relatos, não tem previsão para acontecer em curto prazo. A relação entre Alcolumbre e o Planalto já estava desgastada desde que o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), articulação atribuída a Alcolumbre.
## Ameaças e Intimidações
O deputado Pedro Uczai, em declarações feitas nesta terça-feira, deu um prazo para que Alcolumbre encaminhe a PEC para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. "Nós vamos dar uma trégua para o Davi Alcolumbre para ele pegar a pasta e mandar para a Comissão de Constituição e Justiça. Até semana que vem, se ele não encaminhar para a Comissão de Justiça, nós vamos elegê-lo como inimigo também. Inimigo dos trabalhadores e da pauta", disse Uczai.
Horas depois, a Presidência do Senado divulgou uma nota em que Alcolumbre rebateu as falas do petista. O senador declarou que "esse tipo de ameaça e tentativa de intimidação não será mais tolerado" e que a definição da pauta da Casa "não se submete a ultimatos ou pressões político-eleitorais". Ele ressaltou que tais tentativas afrontam a independência dos Poderes.
## Ruídos Internos e Gestos de Aproximação
A declaração de Uczai gerou repercussão negativa até mesmo entre aliados do PT no Senado. Em conversas reservadas, parlamentares petistas expressaram descontentamento com a postura, argumentando que o comportamento prejudica os esforços para avançar com a PEC. A avaliação é que o episódio aumenta o ruído na relação entre o Senado e o Planalto, em um momento em que a nova líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), tem buscado distensionar as relações e aproximar Alcolumbre de Lula.
Outro ponto de atrito mencionado foi a fala de Uczai ocorrer dias após uma reunião de Alcolumbre com lideranças sindicais, na qual o presidente do Senado demonstrou abertura para negociar o período de transição da jornada 6x1, um pleito defendido pelo Planalto. Senadores petistas defendem que a pressão pela PEC pode ser feita sem direcionar críticas diretas à figura de Alcolumbre, citando como exemplo a mobilização que levou ao arquivamento da PEC da Blindagem em 2025.
## Impasse se estende
Este não é o primeiro embate entre Alcolumbre e membros do governo. No final de junho, o presidente do Senado já havia criticado "uma autoridade importante do Brasil" por pressionar o andamento da PEC, sem citar nomes. Na ocasião, o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência) havia cobrado o andamento da proposta. Governistas admitem que a tramitação da PEC no Senado deve ocorrer somente após o recesso parlamentar, a partir de agosto, e não há garantias de que Alcolumbre inicie o processo antes das eleições de outubro, dada a ambiguidade nos sinais enviados pelo senador sobre temas de interesse do Executivo.