Alcolumbre gera polêmica com mudanças na PEC 6x1 no Senado
Davi Alcolumbre, presidente do Senado, sinaliza apoio à redução imediata da jornada de trabalho com a PEC 6x1, dividindo a base governista e gerando desconfiança sobre o avanço da proposta.

As recentes movimentações do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em relação à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa alterar a escala de trabalho 6x1 têm provocado reações distintas dentro da base aliada ao governo. Enquanto alguns interpretam suas ações como um sinal positivo, outros demonstram ceticismo quanto ao futuro da proposta.
Na última quarta-feira (1º/7), Alcolumbre reuniu-se com representantes de centrais sindicais, marcando o primeiro encontro desde que a PEC chegou à Casa em maio. Surpreendentemente, o senador, que anteriormente parecia mais alinhado à oposição e a sindicatos patronais, expressou apoio à redução imediata da jornada de trabalho. Ele questionou a transição de 14 meses estabelecida pela Câmara, considerando-a excessivamente longa, e sinalizou a possibilidade de uma emenda para que a mudança entre em vigor assim que promulgada.
## Apoio e Desconfiança
O senador Paulo Paim (PT-RS), um dos principais defensores da redução da jornada no Senado, relatou ter se sentido emocionado com a posição de Alcolumbre. A possibilidade de uma emenda que antecipe a vigência da nova carga horária, reduzindo-a das atuais 44 para 40 horas semanais com dois dias de descanso, animou setores da esquerda. No entanto, essa guinada gerou cautela entre integrantes da base governista na Câmara que participaram da elaboração da PEC.
Sob reserva, parlamentares ouvidos pela reportagem expressaram desconfiança, vendo a movimentação como um aceno, mas sem garantias de que a proposta avance. A PEC, prioridade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), teve tramitação rápida na Câmara, mas encontra resistência no Senado.
## Detalhes da PEC 6x1
A PEC aprovada na Câmara estabelece o teto de 40 horas semanais e dois dias de descanso, com um deles preferencialmente aos domingos. A transição prevista é de duas horas reduzidas após 60 dias da promulgação e mais duas horas 12 meses depois. A redução salarial fica proibida, e a proposta permite acordos coletivos. Empregados com remuneração superior a duas vezes e meia o teto do INSS ficam fora das regras de controle de jornada. Contratos públicos e medidas para microempreendedores individuais (MEI) e pequenas empresas também são abordados.
## Pressão e Reação
A reunião ocorreu em meio a atos públicos em favor do fim da escala 6x1 e crescente pressão sobre Alcolumbre para pautar a proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O presidente do Senado reagiu a críticas públicas, mencionando ter sido ameaçado por "autoridades importantes da República". Aliados relatam que Alcolumbre ficou irritado com manifestações da deputada Erika Hilton (Psol-SP) e do ministro Guilherme Boulos (Secretaria Geral da Presidência), que não compareceram ao encontro com centrais sindicais.
## Próximos Passos
Apesar do aceno e da emenda supressiva, Alcolumbre não definiu prazos para despachar a PEC antes do recesso parlamentar. Aliados consideram a aprovação antes de agosto improvável, com a discussão possivelmente se estendendo para o segundo semestre. As movimentações de Alcolumbre indicam um tratamento diferenciado para a PEC, mas o desfecho ainda é incerto.