Venezuela: Sobreviventes de terremotos vivem incerteza um mês após tragédia
Um mês após terremotos devastadores na Venezuela, milhares de sobreviventes vivem em abrigos temporários em La Guaira, enfrentando incertezas habitacionais, traumas psicológicos e dificuldades econômicas.

Um mês após os violentos terremotos que atingiram o norte da Venezuela, centenas de famílias continuam abrigadas em acampamentos improvisados, enfrentando um futuro incerto e a difícil tarefa de reconstruir suas vidas. O complexo esportivo José María Vargas, no estado de La Guaira, tornou-se um lar temporário para milhares de venezuelanos que perderam suas casas ou temem retornar a elas devido a danos estruturais e à possibilidade de novas réplicas.
## Vida em Abrigos Temporários
As famílias vivem em barracas militares, onde as necessidades básicas como alimentação, banheiros e apoio médico são fornecidas. No entanto, a rotina é marcada pela precariedade e pela falta de previsibilidade. As refeições são servidas em horários fixos, e as crianças frequentam escolas improvisadas dentro do próprio abrigo. Apesar da organização e do apoio recebido, a incerteza sobre o futuro é o sentimento predominante. Muitas famílias, como a de Veruska Isasis, deixaram para trás apartamentos que, embora ainda de pé, sofreram danos significativos e não transmitem mais segurança. A falta de clareza sobre as soluções habitacionais, sejam elas realocações ou financiamentos, gera ansiedade e dificulta o planejamento.
## Impacto Psicológico e Econômico
Além dos danos materiais, os terremotos deixaram profundas marcas psicológicas nos sobreviventes. Veruska Isasis relata noites de sono perturbadas, medo de ruídos mínimos e crises de ansiedade em sua filha, que necessitaram de apoio psicológico. A perda do emprego antes do sismo e a devastação na região também levantam sérias preocupações sobre as perspectivas econômicas. "Para começar, não havia muitas fontes de emprego aqui. E agora, com tudo devastado, de que vamos viver? Como vamos seguir em frente?", questiona Isasis, que considera a possibilidade de se mudar em busca de oportunidades. A dificuldade em revisitar áreas afetadas, onde conhecidos e lugares desapareceram, adiciona uma camada de sofrimento a essa realidade.
## Incerteza Habitacional e Econômica
Francelis Salazar, uma cabeleireira de 43 anos, também se refugiou no abrigo com sua família após sentir os tremores. Sua casa sofreu danos nas colunas de entrada, mas ela expressa o desejo de permanecer em La Guaira. Assim como outros, ela reconhece que as necessidades básicas estão sendo atendidas no abrigo, mas a perda de clientes após o terremoto impactou sua fonte de renda. A situação habitacional permanece em aberto, com as famílias aguardando respostas concretas do governo sobre como lidarão com os imóveis danificados e a necessidade de moradia. O sistema de "semáforo" implementado pelo governo para classificar os imóveis danificados oferece uma avaliação, mas não uma solução imediata para os milhares de desabrigados.