Venezuela: FMI libera R$ 1,7 bilhão para reconstrução após terremoto

FMI libera R$ 1,77 bilhão para Venezuela após terremotos que mataram mais de 5 mil pessoas. Fundos serão usados na reconstrução, enquanto milhares seguem desabrigados e famílias buscam vítimas sob escombros.

Venezuela: FMI libera R$ 1,7 bilhão para reconstrução após terremoto

Três semanas após uma série de terremotos devastadores atingirem o norte da Venezuela, o Fundo Monetário Internacional (FMI) autorizou a liberação de US$ 346 milhões (aproximadamente R$ 1,77 bilhão) para auxiliar na reconstrução das áreas afetadas. Os recursos são provenientes de fundos próprios do país que estavam retidos pelo FMI.

## Reconstrução e Crise Humanitária

Segundo o último balanço oficial divulgado pelas autoridades venezuelanas, o número de mortos pelos tremores subiu para 5.119, com 16.740 pessoas feridas. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, informou que o montante liberado será destinado ao apoio às famílias afetadas, abrangendo ações em moradia, infraestrutura e serviços públicos essenciais. A liberação desses fundos ocorre após a retomada das relações entre o FMI e a Venezuela, que estavam suspensas desde 2019.

Os terremotos, com magnitudes de 7,2 e 7,5, ocorreram em 24 de junho, com o estado de La Guaira, na costa venezuelana e próximo à capital Caracas, concentrando os maiores impactos. Equipes de resgate continuam os trabalhos de remoção de escombros na busca por vítimas, enquanto familiares acompanham na esperança de encontrar seus entes queridos. De acordo com dados oficiais, 190 edifícios desabaram completamente e outros 856 sofreram danos significativos, tornando-os inabitáveis. A crise habitacional é uma consequência direta, com cerca de 17.907 pessoas ficando sem moradia e mais de 21.470 abrigadas em 107 locais provisórios montados pelo governo.

## Desafios na Busca por Vítimas e Ajuda

Apesar dos esforços, a busca por corpos entre os escombros enfrenta dificuldades, com famílias relatando a necessidade de alugar máquinas pesadas para tentar acessar as vítimas. Há relatos de que algumas famílias optam por contratar serviços particulares para a recuperação de parentes, diante da lentidão ou ausência de apoio estatal em alguns casos. A destruição das edificações, muitas delas prédios de múltiplos andares, dificulta o trabalho das equipes de resgate e aumenta o desespero dos familiares que buscam dar um destino digno aos mortos.

O número de desaparecidos ainda não foi oficialmente informado, mas estimativas iniciais da ONU indicavam que cerca de 50 mil pessoas poderiam estar nessa condição. A situação de precariedade nos abrigos provisórios também é um ponto de atenção, com relatos de superlotação e escassez de recursos básicos. A liberação dos fundos do FMI representa um alívio financeiro, mas a extensão dos danos e a complexidade da recuperação exigirão esforços contínuos e coordenados.