Venezuela: Atrasos Militares e Confusão Marcaram Resposta a Terremotos
Atrasos militares, falta de equipamentos e confusão na coordenação dificultaram a resposta da Venezuela aos terremotos de junho, gerando críticas ao governo.

A resposta inicial da Venezuela aos devastadores terremotos que atingiram o país em junho foi marcada por atrasos significativos, incerteza na cadeia de comando e escassez de equipamentos básicos. Segundo relatos de oito fontes próximas à situação, incluindo militares e diplomatas, a lentidão na emissão de ordens e a falta de clareza sobre quem detinha a responsabilidade pela coordenação da crise comprometeram os esforços das Forças Armadas nos dias cruciais após os abalos.
Os terremotos, com magnitudes de 7,2 e 7,5, causaram cerca de 5.000 mortes confirmadas pelo governo, embora estimativas independentes sugiram um número significativamente maior. O estado de La Guaira, que abriga o principal aeroporto e porto do país, foi um dos mais afetados, com o colapso de inúmeros edifícios residenciais.
## Falhas na Coordenação e Mobilização
Apesar das declarações oficiais sobre a mobilização imediata de milhares de funcionários, moradores e testemunhas relataram uma presença militar e policial mínima nas primeiras horas após o desastre. Grande parte do esforço inicial de resgate e auxílio foi liderado por civis, utilizando ferramentas rudimentares para retirar sobreviventes e vítimas dos escombros. Equipes internacionais de resgate e um número limitado de soldados venezuelanos acabaram se juntando aos esforços, muitas vezes por iniciativa própria, em vez de ordens diretas.
Oficiais militares ativos e aposentados, bem como fontes diplomáticas, indicaram que a falta de ordens claras, a incerteza sobre a liderança da resposta e a ausência de equipamentos adequados foram os principais fatores que impediram uma ação militar mais robusta. Um oficial, falando sob anonimato, explicou que as tropas não podiam agir sem ordens diretas, destacando a ausência de um plano de contingência para desastres dessa magnitude. A falta de logística e preparação também foi citada como um obstáculo.
## Consequências e Críticas
A confusão generalizada e a fraca cadeia de comando foram descritas por fontes familiarizadas com os círculos diplomáticos, que apontaram que muitas pessoas desconheciam suas funções. Esses atrasos na emissão de ordens afetaram até mesmo o envio de equipes de resgate internacionais, que chegaram nas primeiras 48 horas, mas enfrentaram dificuldades para serem direcionadas às áreas de busca, resultando na perda de tempo precioso para salvar vidas. A frustração com a inércia e a espera por diretrizes foi palpável.
Relatos adicionais mencionam que unidades militares estavam prontas para agir, mas não receberam instruções. A falta de veículos para transporte até as zonas afetadas e a carência de equipamentos essenciais, como martelos, picaretas e helicópteros com visão noturna, foram outros problemas apontados. A resposta governamental tem sido alvo de críticas, com a presidente interina, Delcy Rodríguez, defendendo a atuação oficial em meio às crescentes preocupações públicas sobre a eficácia da ajuda prestada às vítimas.