Trump confirma fim do cessar-fogo com Irã, mas aceita negociações
Donald Trump anunciou o fim do cessar-fogo com o Irã, mas disse que os EUA aceitam continuar negociações. A declaração ocorre após ataques mútuos e mediação do Catar.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta sexta-feira (10) que o cessar-fogo com o Irã chegou ao fim, embora tenha reafirmado a disposição dos EUA em continuar as negociações com Teerã. A declaração foi feita após uma recente escalada de tensões marcada por ataques mútuos e enquanto mediadores do Catar buscam reduzir a crise.
Em sua plataforma Truth Social, Trump afirmou que a República Islâmica do Irã solicitou a continuidade das negociações, e que os Estados Unidos concordaram. No entanto, ele enfatizou que Washington deixou claro, "sem margem para dúvidas", que o cessar-fogo "ACABOU!". Essa comunicação ocorreu após três navios-tanque comerciais terem sido alvo de ataques no Golfo, em resposta aos quais os EUA bombardearam alvos iranianos. O Irã, por sua vez, retaliou com ataques a instalações militares americanas em países vizinhos.
A troca de hostilidades intensificou as preocupações globais sobre o abastecimento de petróleo e o transporte marítimo, especialmente devido à importância estratégica do Estreito de Ormuz. O tráfego de navios-tanque pela via marítima registrou desaceleração, evidenciando a fragilidade da trégua provisória.
Negociadores do Catar têm se reunido com autoridades iranianas na tentativa de diminuir as tensões e discutir a navegação pelo estreito. O Catar tem buscado reforçar seu papel como mediador, apesar de ter acusado o Irã de envolvimento em ataques anteriores.
Trump já havia mencionado o fim da trégua durante uma cúpula da Otan em Ancara, na Turquia, no início da semana. Na ocasião, ele criticou as autoridades iranianas, mas ponderou que não impediria o prosseguimento das negociações, apesar de expressar cansaço com o diálogo. Autoridades americanas haviam indicado anteriormente que a estratégia envolvia ataques seguidos por pausas militares para permitir a diplomacia.
A escalada militar entre os dois países levanta preocupações sobre a estabilidade regional e o impacto na economia global. A incapacidade de resolver a crise pode gerar pressão sobre o governo Trump, especialmente em um ano eleitoral nos Estados Unidos, com altos preços de combustíveis e descontentamento popular.