Trump chama Irã de "escória" em meio a tensões no Estreito de Ormuz
Trump critica o Irã com termos duros, mas analista aponta que ambos os países buscam normalização. Tensões no Estreito de Ormuz criam impasse político e eleitoral para os EUA.

Em declarações contundentes durante uma cúpula da OTAN na Turquia, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou o Irã como "escória" e "pessoas doentes", acusando o país de ser "jogadores sujos" por supostos ataques a embarcações comerciais no Estreito de Ormuz. As falas de Trump ocorrem em um momento de crescente tensão e sinais de que um acordo preliminar entre Washington e Teerã estaria perto do colapso.
Apesar do tom elevado, o analista de Relações Internacionais da CNN Brasil, Lourival Sant'Anna, avalia o cenário com cautela, ponderando que uma escalada imediata para um conflito em larga escala é improvável. Segundo ele, tanto os Estados Unidos quanto o Irã possuem motivações políticas e econômicas estruturais que impulsionam a busca por uma normalização das relações, ainda que sob "estresse contínuo".
## Limitações e Estratégia no Estreito de Ormuz
A estratégia americana, conforme explicada por Sant'Anna, visa a degradar a capacidade iraniana de realizar ataques a navios na vital via marítima. Contudo, essa capacidade de intervenção é limitada pela inviabilidade política de uma ação terrestre direta em território iraniano, onde estão posicionados mísseis e drones. Uma intervenção militar dessa magnitude resultaria em um alto custo em vidas americanas, tornando-a politicamente insustentável.
Por outro lado, o Irã busca impor um status quo no Estreito de Ormuz que é considerado inaceitável pelas potências globais e pelo direito internacional. O analista descreve essa dinâmica como uma "negociação por meio de armas", onde Washington tenta mitigar as ambições iranianas de controle da passagem marítima. O Irã, com sua alta tolerância à dor e vantagem geográfica, tem se mostrado resiliente.
## Impacto Eleitoral e Promessas Quebradas
O analista considera o quadro atual "politicamente desastroso" para os republicanos, afetando dois pilares eleitorais. Primeiramente, a pressão sobre os preços do petróleo e outras commodities que transitam pelo Estreito de Ormuz impacta diretamente a inflação e o custo de vida nos EUA, um fator crucial em eleições passadas. Em segundo lugar, a situação contraria uma promessa central da campanha de Trump: evitar o envolvimento em guerras distantes e intervenções no Oriente Médio.
Sant'Anna aponta para um "descontentamento imenso" tanto na população quanto dentro do próprio Partido Republicano. Trump enfrenta dificuldades significativas para encontrar uma saída honrosa, pois o Irã insiste em manter suas condições para a normalização do tráfego marítimo, o que permanece inaceitável para os Estados Unidos.