Trump ameaça Irã, e chanceler iraniano promete 'ações firmes'
Trump ameaça Irã com 'grande ataque' após bombardeios; Teerã promete resposta firme. UE cobra EUA sobre tarifas e Espanha. Ministro brasileiro segue negociações comerciais com EUA.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã entrou em contato buscando um acordo após uma nova série de bombardeios americanos em território iraniano. Trump declarou que os iranianos "têm muito pouco restante e querem muito fazer um acordo", mas expressou desconfiança quanto ao cumprimento de um eventual compromisso. As declarações ocorrem em meio a uma escalada de tensões na região, com os EUA e o Irã trocando acusações e ataques. Trump chegou a ameaçar um "grande ataque" contra o país persa, minimizando os danos de retaliações iranianas e comparando a força dos ataques americanos em "20 para 1".
Em resposta, o chanceler do Irã, Abbas Araghchi, reagiu às ameaças de Trump, afirmando que o país responderá "com ações: com coragem e grande bravura", em vez de "vulgaridade". A tensão se intensificou após o Comando Central dos EUA lançar uma ofensiva contra o Irã em retaliação a ataques a navios comerciais no Estreito de Ormuz. O Irã, por sua vez, classificou os ataques americanos como uma "clara violação" a um acordo de paz preliminar assinado em junho e lançou ataques contra bases americanas no Bahrein e Kuwait.
## Tensão comercial e diplomática
A retórica de Trump se estendeu a outras frentes diplomáticas e comerciais. O presidente americano ordenou que o secretário do Tesouro interrompesse relações comerciais com a Espanha, classificando o país como uma "péssima parceira" da OTAN por não apoiar a ação contra o Irã. A União Europeia, por meio de um porta-voz da Comissão Europeia, expressou a expectativa de que os EUA cumpram os compromissos assumidos em acordos comerciais, garantindo a proteção dos interesses europeus e defendendo um comércio transatlântico estável.
Paralelamente, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil, Márcio Elias Rosa, confirmou que o governo brasileiro manterá negociações com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos sobre possíveis tarifas contra produtos brasileiros. Duas rodadas de conversas ainda estão previstas antes do prazo final de 15 de julho, quando o órgão deve enviar sua recomendação à Casa Branca. O objetivo do Brasil é retirar setores do "tarifaço" e reduzir alíquotas, argumentando que o encarecimento de produtos brasileiros pode aumentar a dependência de insumos chineses, algo que o governo Trump busca evitar.
## Brasil e a soberania
No cenário doméstico brasileiro, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, reafirmou que o Brasil é um Estado soberano e que essa soberania prevalecerá. A declaração ocorreu em resposta a questionamentos sobre a possibilidade de uma invasão militar dos EUA no Brasil, após o Itamaraty ter enviado um ofício à Câmara dos Deputados alertando para essa chance. A preocupação surge da classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras pelos EUA, uma medida que o Itamaraty considerou "unilateral" e que não foi comunicada formalmente ao Brasil.
Fachin também comentou sobre a preparação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições, garantindo que o sistema de justiça estará atento para impedir a infiltração do crime organizado no processo eleitoral e assegurar o exercício da soberania popular através do voto.