Terremotos na Venezuela: Mortes sobem para 3.535
Número de mortos por terremotos na Venezuela sobe para 3.535. ONU estima 50 mil desaparecidos. Críticas à resposta do governo e ajuda internacional e nacional.

O número de mortos pelos terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho subiu para 3.535, de acordo com o balanço mais recente divulgado pelas autoridades venezuelanas na segunda-feira, 6 de julho. O boletim oficial também mantém o número de feridos em 16.740.
Os sismos, com magnitudes de 7,2 e 7,5, tiveram como principal área de impacto o estado de La Guaira, no norte do país, a cerca de 40 km da capital Caracas. A região concentra os maiores danos, com edifícios destruídos e milhares de moradores vivendo em abrigos improvisados.
## Divergências e Estimativas
O balanço anterior de mortes, divulgado no domingo, 5 de julho, registrava 3.342 óbitos. Já na sexta-feira, 3 de julho, o número divulgado pelo governo era de 2.645 mortes. O regime venezuelano tem evitado divulgar o número de desaparecidos, mas o chefe de ajuda humanitária das Nações Unidas estimou que esse número pode chegar a 50 mil. Outras projeções, no entanto, apontam para um número próximo de 10 mil desaparecidos.
## Críticas e Resposta Oficial
A atuação do governo venezuelano na resposta à tragédia tem sido alvo de críticas por parte da população, que considera lentas as ações de emergência. Em contrapartida, a líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, rejeitou as críticas, afirmando que as operações de busca e resgate continuam. Sem apresentar provas, ela acusou "laboratórios midiáticos" de tentar prejudicar o trabalho das equipes de emergência.
Durante celebrações do Dia da Independência, Rodríguez descartou a possibilidade de uma "convulsão social" no país em decorrência da tragédia, afirmando que o que existe é "solidariedade social profunda do nosso povo". Ela assumiu interinamente a presidência após a captura de Nicolás Maduro no início de 2026, em uma operação conduzida pelos Estados Unidos.
## Ajuda Internacional e Nacional
Após os terremotos, que provocaram uma das maiores tragédias humanitárias do país em mais de um século, as buscas por desaparecidos continuam com a ajuda de diversos países. A ONU informou que 27 países enviaram equipes especializadas e cães farejadores para auxiliar nas buscas.
O desastre ampliou o problema humanitário já existente no país. Antes dos terremotos, a ONU estimava que quase 8 milhões de venezuelanos precisavam de algum tipo de assistência. O Programa Mundial de Alimentos solicitou US$ 50 milhões para atender cerca de 500 mil pessoas nos três meses seguintes.
Equipes brasileiras participam das operações de resgate. O governo do Brasil já enviou seis remessas de ajuda à Venezuela desde o início da crise, incluindo equipes, equipamentos, insumos e medicamentos, transportados pela Força Aérea Brasileira (FAB).