Terremotos na Venezuela: Mortes chegam a 3.685 e 17 mil feridos
Número de mortos em terremotos na Venezuela sobe para 3.685, com 17 mil feridos. Há preocupação com abrigos precários e críticas à resposta do regime.

O número de mortos em decorrência dos terremotos gêmeos que atingiram a Venezuela no final do mês passado subiu para 3.685, conforme divulgado pelo regime venezuelano nesta terça-feira (7). O balanço oficial também indica 17 mil feridos. Informações sobre o número de desaparecidos variam entre diferentes órgãos, com estimativas que vão de 10 mil a 50 mil pessoas.
O governo interino informou que 12.800 pessoas estão desabrigadas, alojadas em abrigos públicos, e cerca de 5.000 estão desalojadas, hospedadas na casa de parentes e amigos ou em hotéis. Mais de 80 abrigos improvisados foram estabelecidos em Caracas, a capital, e em La Guaira, a cidade mais afetada pelos tremores. Socorristas continuam as buscas por vítimas em meio aos escombros.
Especialistas em saúde pública expressam preocupação com a precariedade das condições nos abrigos, muitos dos quais carecem de saneamento básico e apresentam superlotação. Há o risco de surtos de doenças como cólera, tuberculose, tétano e sarampo.
A atuação do regime diante do desastre tem recebido críticas de parte da população, que considera lenta a resposta de emergência. A líder interina, Delcy Rodríguez, rejeitou as críticas, acusou "laboratórios midiáticos" de tentarem prejudicar o trabalho das equipes e descartou a possibilidade de "convulsão social", afirmando que "o que existe é solidariedade social profunda do nosso povo".
Os Estados Unidos, por meio do encarregado de negócios em Caracas, John Barrett, defenderam a resposta do governo à crise humanitária, afirmando que o "governo interino está cooperando totalmente" com os pedidos de avanço na resposta massiva.
A Organização das Nações Unidas (ONU) iniciou a compra de 10 mil sacos para armazenamento de corpos, antecipando um possível aumento no número de vítimas. O Programa Mundial de Alimentos solicitou US$ 50 milhões à comunidade internacional para auxiliar cerca de 500 mil pessoas nos próximos três meses.
Os terremotos agravaram uma crise humanitária preexistente na Venezuela. Antes do desastre, a ONU já estimava que quase 8 milhões de venezuelanos necessitavam de assistência humanitária. Equipes especializadas e cães farejadores de 27 países foram enviados para auxiliar nas operações de busca e resgate.