Terremoto na Venezuela: equipes buscam sobreviventes em La Guaira

Terremoto histórico devasta La Guaira, Venezuela, com colapso de edifícios. Equipes internacionais buscam sobreviventes e Brasil monta hospital de campanha.

Terremoto na Venezuela: equipes buscam sobreviventes em La Guaira

A Venezuela enfrenta as consequências de um terremoto histórico, o maior registrado no país em mais de um século, que devastou o município costeiro de La Guaira em 24 de julho. O abalo sísmico, com epicentro próximo à capital Caracas, provocou o colapso de edifícios residenciais e comerciais, deixando bairros inteiros em ruínas e desalojando milhares de pessoas.

As imagens do desastre chocaram o mundo, com vídeos de moradores registrando o momento do tremor, que incluiu o transbordamento de piscinas e o desabamento parcial de construções. Em meio ao caos, a esperança reside nas buscas por sobreviventes sob os escombros. Cerca de 60 equipes de 28 países, incluindo especialistas brasileiros, trabalham incansavelmente utilizando cães farejadores e tecnologia avançada para detectar sinais de vida.

## Esforços de Resgate e Missão Brasileira

A missão humanitária brasileira, liderada pelo capixaba Armin Braun, concentra seus esforços em La Guaira. A equipe vivenciou momentos de angústia, como na tentativa de resgate de um jovem identificado como Santiago, que infelizmente não sobreviveu. Braun destacou a importância de transformar essas perdas em motivação para continuar buscando outras vítimas. Em um cenário de esperança, o vigilante Hernán Gil foi resgatado com vida após oito dias soterrado, em uma operação que mobilizou mais de 100 resgatistas internacionais e durou 72 horas.

## Estrutura de Apoio e Saúde

Diante da destruição massiva, sobreviventes buscam refúgio em abrigos improvisados e acampamentos montados em locais como campos de futebol, com apoio logístico e médico básico da ONU. Para os casos mais graves, a Marinha do Brasil instalou um hospital de campanha em La Guaira, equipado com leitos, centro cirúrgico e UTIs. A unidade de saúde tem atendido uma média de 120 pacientes por dia, com foco em tratamentos pós-trauma e feridas infectadas devido à falta de cuidados. A coordenadora médica Marisa Martins ressalta a complexidade da fase atual, alertando para o aumento de preocupações sanitárias com a possível remoção de corpos.

## Cobranças e Resiliência

Moradores locais expressaram insatisfação com a lentidão das ações de socorro estatais, relatando a necessidade de começarem as buscas por conta própria antes da chegada de ajuda internacional. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, rejeitou críticas sobre a gestão da crise. Apesar das adversidades, a resiliência da população venezuelana se manifesta na busca por notícias de entes queridos e na colaboração mútua em meio à tragédia.