Taiwan: Preparativos contra China não são provocação, diz defesa

Taiwan defende que seus preparativos contra um possível ataque chinês não são provocação, mas sim uma necessidade de defesa diante da agressão de Pequim.

Taiwan: Preparativos contra China não são provocação, diz defesa

A ilha de Taiwan reforça seus preparativos para um eventual ataque chinês, mas as medidas adotadas não devem ser interpretadas como uma provocação. A declaração parte de uma autoridade de alto escalão da segurança taiwanesa, que enfatiza a necessidade de a população levar a sério a ameaça e se preparar ativamente. A China considera Taiwan um território sob seu domínio e não descarta o uso da força para unificá-la, intensificando sua presença militar nas águas e no espaço aéreo ao redor da ilha democrática.

Em resposta às crescentes pressões de Pequim, o governo taiwanês tem aumentado seus gastos militares e realizado exercícios de defesa civil. O presidente Lai Ching-te descreve essas ações como parte de um esforço de resiliência em toda a sociedade. Lin Fei-fan, secretário-geral adjunto do Conselho de Segurança Nacional de Taiwan e responsável pelo programa de resiliência, destacou em um fórum em Taipé que os vastos gastos militares da China e sua pressão contínua na região representam ameaças concretas.

“As pessoas costumam retratar os preparativos de Taiwan como uma provocação ao outro lado”, afirmou Lin. “Quero aproveitar esta oportunidade para dizer a todos: todos os preparativos da China têm um objetivo claro — agressão militar e expansão externa.” Ele rebateu as acusações de Pequim, que frequentemente culpa o presidente Lai por tensões e o rotula como “separatista”, alegando que suas ações militares visam proteger a soberania e segurança chinesas. Segundo Lin, as ações de Pequim são o oposto das de Taipé.

“Um país que defende que ‘os dois lados do estreito são uma família’ não precisa realizar testes de lançamento de mísseis e foguetes no Estreito de Taiwan”, acrescentou. “Hoje, Taiwan não envia nem uma única aeronave ou navio de guerra para invadir o espaço aéreo ou as águas do outro lado. Quem está provocando a ordem regional não é ninguém mais — é a China.”

Diante do cenário de perigo iminente, Lin ressaltou a importância vital dos esforços do governo em preparar a população para um conflito. Ele alertou que ignorar a situação, comparando-a com a guerra na Ucrânia, seria um erro grave. “Se não agirmos hoje, a força não surgirá repentinamente amanhã”, disse ele. “Se não realizarmos exercícios hoje, quando uma crise chegar, talvez nem sequer conheçamos o procedimento operacional padrão mais básico.”

Lin concluiu que a paz seria imediata se a China renunciasse às suas ambições militares sobre Taiwan. “Mas se Taiwan abrir mão agora de sua capacidade de se defender, não haverá mais um Taiwan no mundo”, finalizou.