Soldado brasileiro relata caos na Ucrânia: "Mad Max"

Soldado brasileiro narra o caos na linha de frente da Ucrânia, comparando o combate a "Mad Max". Ataques constantes, uso de drones e táticas arriscadas marcam a guerra.

Soldado brasileiro relata caos na Ucrânia: "Mad Max"

Um soldado brasileiro que atua na linha de frente da guerra na Ucrânia descreveu o cenário de combate como similar às cenas do filme “Mad Max”, marcado por caos, confusão e ataques incessantes. O militar, identificado como Soldado C, relatou à CNN Brasil que as tropas ucranianas enfrentam bombardeios contínuos de artilharia, morteiros e, especialmente, drones.

## Ataques Russos e "Assaltos em Escala"

Segundo o soldado, quando os russos identificam uma vulnerabilidade na linha de defesa, lançam "assaltos em maior escala". Esses ataques ocorrem com soldados a pé, utilizando veículos como quadriciclos e motos, em uma tática descrita como quase suicida e que resulta em um alto número de baixas russas. "Eles vêm em grande quantidade e aí a Ucrânia também reage. Aumenta a quantidade de drones, a quantidade de morteiros, de explosões. Muitos russos morrem nesse processo, mas eles mantêm a operação. Eles avançam. Eles não param", detalhou.

Com 30 anos e experiência prévia no Exército Brasileiro e na Legião Estrangeira francesa, o Soldado C está na Ucrânia há mais de um ano. Ele justificou sua decisão de se alistar no exército ucraniano pela discordância com a invasão russa e por ser sua profissão. O ambiente de combate é caracterizado pela imprevisibilidade e pelo alto risco, com "kill zones" e "gray zones" onde o controle é disputado e a ameaça de drones é constante. A superioridade russa em capacidade material permite manter vigilância permanente.

## A Vida na Linha de Frente

O deslocamento na linha de frente tornou-se uma operação de altíssimo risco, exigindo paradas constantes e imobilidade total ao menor sinal de drones. A experiência se assemelha a jogos de videogame, com operadores de drones guiando armas voadoras a quilômetros de distância. O terreno também apresenta perigos ocultos, como minas terrestres, que já causaram acidentes graves entre soldados. As grandes trincheiras foram substituídas por posições isoladas, como "tocas", onde os soldados permanecem a maior parte do tempo, saindo apenas para missões essenciais de ressuprimento, que frequentemente é feito por drones. A extração de soldados dessas posições pode levar meses e depende de condições climáticas favoráveis.