Peruanos enganados com promessa de emprego lutam na Ucrânia
Peruanos atraídos por promessas de trabalho e cidadania na Rússia são enviados para lutar na Ucrânia. Famílias buscam respostas e denunciam exploração.

Centenas de homens peruanos, atraídos por promessas de empregos lucrativos e cidadania russa, foram supostamente recrutados pelas forças armadas da Rússia e enviados para lutar na linha de frente do conflito na Ucrânia. As vítimas, muitas oriundas de contextos de vulnerabilidade social, teriam sido enganadas por recrutadores e anúncios em redes sociais, que mascaravam a verdadeira natureza do acordo: o combate em zona de guerra.
O caso veio à tona através de relatos de familiares, como o de Norma, mãe de um jovem de 31 anos que deixou o Peru no final de janeiro com a promessa de trabalhar como cozinheiro para o Exército russo, longe do front e com a perspectiva de obter a cidadania. "Queria trancá-lo em casa, mas ele já tinha tomado uma decisão", relatou Norma à CNN, expressando sua angústia e suspeitas desde o início. Ela notou que outros jovens também se preparavam para a viagem, mas todos se mostraram evasivos.
## A Realidade no Front
As suspeitas de Norma se confirmaram rapidamente. Pouco tempo após a partida do filho, ela recebeu vídeos que o mostravam com equipamento militar, cavando trincheiras e construindo abrigos em uma floresta ucraniana, ao lado de outros combatentes estrangeiros. O som de drones explodindo ao fundo em suas chamadas reforçava o perigo iminente, apesar das tentativas do filho de tranquilizá-la.
Em abril, o contato com o filho cessou após ele relatar uma "punição" por mau comportamento. Norma teme o pior: "Tenho essa luz de esperança de que ele esteja em algum lugar, escondido em uma trincheira, mas realmente não sei". A falta de notícias e a incerteza sobre o paradeiro de centenas de outros peruanos geram desespero e protestos em frente à embaixada russa em Lima.
## Estratégia de Recrutamento Russo
A Rússia tem intensificado seus esforços para aumentar o contingente militar na Ucrânia, recorrendo ao recrutamento de estrangeiros. Relatos semelhantes já vieram de países africanos e do Nepal, onde cidadãos foram atraídos com ofertas de empregos civis bem remunerados, mas acabaram forçados a assinar contratos em russo, receber treinamento mínimo e ser enviados ao combate. O Quênia chegou a classificar a rede de recrutamento russa como tráfico de pessoas.
As famílias dos recrutas peruanos, que há semanas buscam respostas junto ao governo e à embaixada russa, apontam para a fragilidade econômica como fator de atração para essas ofertas, muitas vezes a única esperança de um futuro melhor. A situação expõe uma perigosa exploração de vulnerabilidades em meio a um conflito internacional.