Paquistão teme ser arrastado para conflito EUA-Irã após ataques no Iêmen

Paquistão expressa profunda preocupação com a escalada de ataques houthis contra a Arábia Saudita, temendo ser arrastado para o conflito e ter seu papel de mediador prejudicado. Ações elevam tensão regional e colocam pacto de defesa mútua em xeque.

Paquistão teme ser arrastado para conflito EUA-Irã após ataques no Iêmen

A recente escalada de ataques houthis contra a Arábia Saudita, aliados do Irã, tem gerado profunda preocupação no Paquistão, que teme ser arrastado para um conflito mais amplo no Oriente Médio. O país, que buscava desempenhar um papel de mediador entre Estados Unidos e Irã, vê essa possibilidade ameaçada pela crescente tensão regional.

Em 2025, o Paquistão, uma potência nuclear, firmou um acordo de defesa mútua com a Arábia Saudita, enviando tropas e caças para o país. Embora tenha expressado indignação com ataques iranianos anteriores, as ações recentes dos houthis elevaram a frustração de Islamabad com Teerã a um novo patamar, aumentando a perspectiva de um conflito em larga escala.

## Frustração e Linha Vermelha

Os houthis dispararam mísseis contra a Arábia Saudita após acusações de bombardeio a um aeroporto controlado pelo grupo. A troca de ataques rompeu uma trégua de quatro anos. Autoridades paquistanesas, falando sob condição de anonimato, afirmaram que os ataques contra a Arábia Saudita são considerados ataques contra o Paquistão. "Essa é a nossa linha vermelha", declarou uma fonte oficial.

Analistas de segurança paquistaneses, como Muhammad Amir Rana, apontam que o país não esperava um aumento tão repentino das tensões. A preocupação central é que o envolvimento dos houthis tenha um potencial maior de arrastar o Paquistão para o conflito do que os ataques diretos do Irã no início do ano. Soldados paquistaneses posicionados perto da fronteira saudita com o Iêmen aumentam a exposição a um eventual confronto.

## Preocupações Regionais e Diplomáticas

Outra preocupação em Islamabad é a possibilidade de que a escalada liderada pelos houthis interrompa a navegação no Mar Vermelho, uma rota comercial vital para o Paquistão e outras nações. Um conflito ampliado poderia atingir interesses sauditas de forma a forçar a intervenção militar paquistanesa sob o pacto de defesa mútua.

Paralelamente, há um acompanhamento atento das crescentes divisões dentro da liderança iraniana. Autoridades paquistanesas observam com preocupação a divergência entre os objetivos dos líderes políticos e da Guarda Revolucionária Islâmica, com a percepção de que os militares estariam dominando a tomada de decisões no Irã.

A recente escalada de tensões contribuiu para o adiamento de uma visita de uma delegação iraniana a Islamabad. A delegação, liderada pelo ministro do Interior, Eskandar Momeni, chegou a Islamabad com dois dias de atraso. As conversas esperadas incluem discussões sobre o acordo entre Estados Unidos e Irã.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, Tahir Andrabi, conclamou "todas as partes a exercerem máxima contenção" e reforçou que "não há alternativa ao engajamento contínuo, ao diálogo e à diplomacia". À medida que o Paquistão busca um papel regional proeminente, enfrenta os desafios de uma maior exposição em cenários de instabilidade.