Padre excomungado aposta em "outro papa" para retorno à Igreja
Padre de grupo ultraconservador excomungado aposta em futuro papa para reintegração à Igreja Católica. Fraternidade foi afastada após ordenação de bispos sem aval papal.

Um padre ligado à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, grupo ultraconservador católico excomungado no início desta semana, expressou neste domingo (5) a esperança de que a organização seja reintegrada à Igreja Católica sob a liderança de um futuro pontífice. A declaração foi feita durante uma missa na Suíça.
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X foi formalmente afastada da Igreja após a ordenação de quatro bispos sem a permissão expressa do Papa Leão, ocorrida na última quarta-feira (1º). O grupo, que não demonstrou remorso pela cisão, alegou que o pontífice não deu a devida atenção às suas preocupações.
## Aposta em Sucessão Papal
O padre Georg Kopf, em seu sermão na cidade de Wil, no nordeste suíço, comparou a atual situação àquela vivenciada em 2009, quando o Papa Bento XVI permitiu o retorno de membros afastados. "Um dia haverá outro papa que abrirá a porta e nos receberá de volta. Assim como o Papa Bento [XVI]", afirmou Kopf, demonstrando confiança em uma futura reconciliação.
Fundada em 1970 e com sede na Suíça, a fraternidade congrega fiéis em escala global. Seus membros defendem a manutenção da missa tradicional em latim e rejeitam o ecumenismo, acusando a Igreja de ter se distanciado de seus preceitos originais.
## Histórico de Rompimentos
Esta não é a primeira vez que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X se encontra em rota de colisão com o Vaticano. No final da década de 1980, o fundador Marcel Lefebvre também ordenou quatro bispos sem a autorização do Papa João Paulo II, o que resultou na excomunhão dos envolvidos. Naquela ocasião, contudo, a suspensão da pena ocorreu em 2009, com o objetivo de promover a unidade eclesiástica.
"Estou convencido de que haverá outro papa como ele, que dará à tradição o seu devido lugar novamente. Claro, gostaríamos que isso acontecesse amanhã", declarou Kopf, reforçando o anseio por uma resolução rápida.
## Posição do Vaticano
O Vaticano, por sua vez, comunicou que buscou o diálogo com o grupo antes da decisão de ordenação. A Santa Sé ressalta que a ordenação de bispos sem a aprovação papal constitui uma infração grave, acarretando a excomunhão automática. "Nada do que aconteceu em 1º de julho teve a intenção de estabelecer uma igreja paralela ou de romper com Roma", assegurou Kopf em seu sermão, proferido em alemão. "Pelo contrário, foi justamente por amor à Igreja e ao papa que essas ordenações foram realizadas, para zelar pela salvação das almas."