Onda de Calor na Europa Dispara Vendas de Ar-Condicionado Chinês

Onda de calor na Europa impulsiona vendas de ar-condicionado de fabricantes chinesas, mas desafios no mercado interno persistem devido a custos e desaceleração econômica.

Onda de Calor na Europa Dispara Vendas de Ar-Condicionado Chinês

A Europa tem registrado temperaturas extremas, impulsionando de forma significativa a demanda por aparelhos de ar-condicionado portáteis e de janela fabricados na China. O fenômeno climático, que atingiu o continente no final de junho, tem levado consumidores a buscar soluções rápidas e acessíveis para combater o calor intenso em suas residências.

Empresas como Midea Group, Haier Smart Home e Gree Electric Appliances estão entre as principais beneficiadas. Esses fabricantes chineses têm ampliado sua participação no mercado europeu, oferecendo modelos portáteis que se destacam pela facilidade de instalação e custo inferior em comparação aos sistemas split, mais comuns em mercados como Estados Unidos e Ásia. A expectativa é que essa alta nas exportações contribua substancialmente para os resultados financeiros das empresas nos trimestres de verão do hemisfério norte.

## Expectativas de Crescimento e Preparação das Empresas

Estimativas indicam que a Midea, com sede em Foshan, pode experimentar um crescimento de vendas superior a 20% para o mercado europeu de ar-condicionado no segundo trimestre. Segundo o Citi, a companhia se preparou com antecedência, dobrando ou triplicando seus estoques em relação ao ano anterior. A Haier Smart Home também projeta uma expansão de dois dígitos em sua divisão europeia de refrigeração, divisão que já representou cerca de 20% de suas operações na região em 2025.

A Gree Electric Appliances, embora com menor exposição internacional – vendas externas respondem por cerca de 15% de sua receita total –, também se beneficia da demanda global. A confiança no mercado europeu é reforçada pela baixa taxa de penetração de ar-condicionado no continente, estimada em apenas 20% das residências pela Agência Internacional de Energia (AIE). Esse cenário abre um vasto potencial de crescimento, especialmente diante da crescente frequência de eventos climáticos extremos.

## Desafios Domésticos e Perspectivas Futuras

Apesar do impulso vindo da Europa, analistas alertam que o aumento nas vendas internacionais pode não ser suficiente para compensar a desaceleração enfrentada no mercado doméstico chinês. O consumo enfraquecido, a redução de subsídios governamentais e o aumento nos custos de matérias-primas, como alumínio e cobre, representam desafios significativos para as fabricantes chinesas. A alta desses metais industriais pode pressionar as margens de lucro, limitando os ganhos obtidos com a expansão externa.

Contudo, a tendência de aquecimento global sugere que episódios de calor extremo podem se tornar mais comuns na Europa. Caso essa projeção se concretize, a demanda por sistemas de refrigeração pode se consolidar como uma fonte de crescimento recorrente para as empresas chinesas, que já possuem vantagem competitiva devido à praticidade, menor custo de instalação e preços acessíveis de seus produtos.