Japão e China em Confronto: Navios se Envolvem em Disputa Territorial Marítima
Japão e China trocam acusações sobre incursão de navios em águas disputadas no Mar da China Oriental, elevando a tensão diplomática bilateral.

Um incidente diplomático e marítimo elevou a tensão entre Japão e China nesta terça-feira (7), quando as respectivas Guardas Costeiras se envolveram em um confronto perto de um grupo de ilhas desabitadas no Mar da China Oriental, administradas pelo Japão, mas reivindicadas pela China. O arquipélago é conhecido como Senkaku pelos japoneses e Diaoyu pelos chineses.
Segundo a Guarda Costeira do Japão, dois navios chineses foram avistados navegando em águas consideradas territoriais por Tóquio, aproximando-se de um pesqueiro japonês. As autoridades japonesas emitiram ordens de retirada e afirmaram ter conseguido a expulsão das embarcações chinesas. O Japão classificou a ação como uma "violação do direito internacional". Os navios chineses deixaram a área por volta das 9h20, segundo o órgão japonês, que também destacou o posicionamento de suas embarcações para garantir a segurança do barco pesqueiro.
A versão da China, contudo, diverge em detalhes cruciais. O porta-voz da Guarda Costeira chinesa, Jiang Lue, declarou que foi um pesqueiro japonês, o Zuihou Maru, que entrou nas águas territoriais de Chiwei Yu, parte do arquipélago disputado. De acordo com Lue, as embarcações chinesas agiram "de acordo com a lei" para alertar e expulsar o barco japonês. Pequim reitera que Diaoyu Dao e suas ilhas adjacentes são "território inerente" chinês e pediu o fim de atos considerados provocativos por parte do Japão. A Guarda Costeira chinesa reafirmou sua intenção de continuar com operações de proteção de direitos e aplicação da lei na região para salvaguardar a soberania territorial e os direitos marítimos da China.
## Contexto de Tensão Crescente
A disputa pelas ilhas, localizadas estrategicamente entre Taiwan e Okinawa, é um foco de tensão diplomática há décadas, com implicações para rotas marítimas importantes e a possível presença de reservas de petróleo e gás. A entrada de navios chineses em águas reivindicadas pelo Japão não é inédita, com incidentes registrados em junho e dezembro de 2025, e uma prisão em fevereiro de 2026. No entanto, a aproximação de navios chineses a barcos pesqueiros japoneses é considerada incomum pelas autoridades de Tóquio.
O episódio ocorre em um cenário de escalada de tensões iniciado em novembro, quando a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sugeriu a possibilidade de intervenção militar japonesa em caso de ataque chinês a Taiwan. Essa declaração gerou forte condenação de Pequim, que recomendou que seus cidadãos evitassem viagens ao Japão e impôs restrições comerciais. A China, por sua vez, reforçou sua presença marítima em áreas próximas a Taiwan e criticou negociações entre Japão e Filipinas sobre zonas econômicas exclusivas no Pacífico.