Irã nega negociações com EUA e mantém controle do Estreito de Ormuz
Irã nega negociações de paz com EUA após pausa em bombardeios. Teerã afirma controlar Estreito de Ormuz, rota vital para petróleo, cujos preços caíram. Conflito gera apreensão política e militar.

O Irã reiterou nesta segunda-feira (27) que não mantém negociações de paz com os Estados Unidos, contrariando declarações americanas que indicavam uma abertura para o diálogo. A afirmação surge em meio a uma pausa nos bombardeios entre os dois países e em um contexto de tensões contínuas sobre o controle do Estreito de Ormuz, via marítima crucial para o comércio global de petróleo.
## Tensão e Pausa nos Ataques
Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, mediadores podem transmitir mensagens americanas, mas o país não está envolvido em negociações diretas. Ele criticou a postura dos EUA, comparando-a à de um "grupo mafioso". O governo americano, por meio de seu embaixador na ONU, Mike Waltz, declarou que a interrupção dos disparos visava "abrir espaço para negociações". No entanto, o Irã nega veementemente qualquer busca por conversas, classificando tais alegações como "invenções".
A pausa nos ataques ocorreu após 13 noites consecutivas de hostilidades. O porta-voz militar iraniano, Mohammad Akraminia, afirmou que o Irã suspendeu seus bombardeios de retaliação enquanto a pausa americana durar, mas alertou que o conflito se estenderá se os EUA "insistirem em continuar com a guerra". Apesar da trégua não oficial, a Guarda Revolucionária iraniana impediu a passagem de seis navios que tentavam cruzar o Estreito de Ormuz sem permissão nas últimas 24 horas, segundo a TV estatal. No dia anterior, outros quatro navios foram detidos.
## Impacto Econômico e Controle de Ormuz
A escalada do conflito entre EUA e Irã impactou diretamente o mercado de petróleo. Com a notícia da pausa nos bombardeios, o preço do barril de Brent recuou mais de 8% na manhã de segunda-feira, negociado abaixo de US$ 89, após ter superado os US$ 100 na semana anterior. A dificuldade de navegação no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás natural comercializados mundialmente, é o principal fator que tem elevado os preços.
O Irã reafirmou seu controle sobre a via marítima, declarando que as rotas de tráfego são as especificadas pelo país e que outras rotas são "contaminadas e sem saída". A Guarda Revolucionária iraniana forçou o retorno de seis navios que tentavam passar por rotas não autorizadas. O conflito, iniciado em fevereiro, já causou milhares de mortes e abalou a economia global, com o bloqueio do tráfego no estreito.
## Relevância Política e Opiniões
Enquanto isso, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, iniciou uma viagem aos EUA com planos de se reunir com o presidente Donald Trump. Netanyahu declarou apoio aos esforços americanos para deter o programa nuclear iraniano, mas ressaltou que o programa "tem que acabar". Nos Estados Unidos, a guerra tem gerado questionamentos entre republicanos, com alguns expressando preocupação com a duração do conflito e seu impacto político nas eleições de novembro. O número de militares americanos feridos na guerra já ultrapassa 600, com quatro mortos registrados desde a retomada dos ataques regulares.