Irã enterra Aiatolá Khamenei após ataques de EUA e Israel

Irã enterra líder supremo Aiatolá Ali Khamenei em Mashhad após ataques de EUA e Israel. Cortejos fúnebres em massa e clamores por vingança marcam o evento em meio a tensões geopolíticas.

Irã enterra Aiatolá Khamenei após ataques de EUA e Israel

O Irã realizou nesta quinta-feira (9) o sepultamento de seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, em Mashhad, cidade localizada no nordeste do país. O evento marcou o encerramento de uma semana de intensos cortejos fúnebres, manifestações e cerimônias de luto que se estenderam por diversas cidades iranianas e também no Iraque. O funeral ocorreu em um momento de significativa tensão geopolítica, coincidindo com uma nova escalada de conflito com os Estados Unidos, após um período de trégua.

O corpo de Khamenei foi transportado em um caminhão pelas ruas de Mashhad, em direção ao Santuário do Imã Reza, um dos locais mais sagrados do xiismo. Multidões de fiéis, vestidos de preto e empunhando bandeiras iranianas e fotografias do aiatolá, acompanharam a procissão, entoando slogans revolucionários e pedindo vingança contra os Estados Unidos, com menções específicas ao presidente Donald Trump. "Juro pelo sangue do líder supremo, Trump, nós vamos te matar!", gritavam alguns presentes, em meio a gritos de "morte à América".

O sepultamento em Mashhad é o ápice de uma série de eventos fúnebres que tiveram grande adesão popular, incentivada pelas lideranças clericais da República Islâmica. O objetivo era reforçar o poder e o fervor ideológico do Estado teocrático. No entanto, o Irã enfrenta desafios internos consideráveis, e o legado de 37 anos de governo de Khamenei é alvo de contestações.

O filho de Khamenei e seu provável sucessor, Mojtaba Khamenei, não apareceu publicamente desde o ataque que vitimou seu pai em 28 de fevereiro. Segundo fontes em Teerã, ele sofreu ferimentos graves no rosto e nos membros no mesmo atentado e está em recuperação, mas ainda não em condições de fazer aparições públicas. A segurança estatal também busca limitar sua exposição em meio a temores de novos ataques.

Os restos mortais de Khamenei, junto com os de quatro familiares que morreram no mesmo ataque, já haviam sido levados em procissão por Teerã, pela cidade sagrada de Qom e pelas cidades iraquianas de Najaf e Karbala. Em cada local, multidões expressaram luto e fervor revolucionário, ecoando o conceito de martírio, central na teologia xiita, e a narrativa de sua morte pelas mãos de inimigos estrangeiros.

A morte de Khamenei e os eventos que a cercam ocorrem em um período crítico para o Irã, que se prepara para virar a página após quase quatro décadas de liderança suprema. O país ainda lida com as consequências de uma onda recente de protestos em massa contra o regime, que foram reprimidos pelas forças de segurança.