Irã e EUA trocam ataques; Teerã promete não ceder
Irã e EUA intensificam troca de ataques no Oriente Médio. Negociador iraniano promete resistência e lista violações americanas, enquanto Teerã ataca instalações nos EUA. Tensões aumentam na região.

O principal negociador do Irã e presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que o país não cederá diante das ações dos Estados Unidos, após uma nova rodada de ataques trocados entre as duas nações. Em publicação na rede social X, Ghalibaf listou o que considera violações do acordo de cessar-fogo por parte de Washington, incluindo a desconsideração de "ajustes iranianos no Estreito de Ormuz" e "ameaças persistentes de novos ataques".
Segundo o representante iraniano, o descumprimento do acordo pelos EUA também abrange o "restabelecimento das sanções ao petróleo, os ataques ao sul do Irã e a continuação da agressão sionista". Ghalibaf enfatizou que "a era da intimidação e da extorsão acabou. Isso não leva a lugar algum. Não vamos ceder".
A Guarda Revolucionária iraniana, por sua vez, afirmou ter atacado instalações militares americanas no Bahrein e no Kuwait. Essa ação ocorreu em resposta a uma nova série de bombardeios lançados pelos Estados Unidos contra o Irã, em retaliação a ataques contra petroleiros no Estreito de Ormuz.
O Comando Central dos EUA (CENTCOM) informou que mais de 60 embarcações de pequeno porte da Guarda Revolucionária Islâmica foram alvos dos ataques americanos. O objetivo seria impor um alto custo ao Irã pelos ataques à navegação, que foram classificados como uma violação do cessar-fogo. O CENTCOM declarou que a "agressão injustificada das forças iranianas é uma violação clara e perigosa do cessar-fogo e compromete a liberdade de navegação".
Relatos da mídia iraniana indicaram explosões na ilha de Kharg, principal ponto de exportação de petróleo do país, assim como nas ilhas de Qeshm e nas cidades portuárias de Sirik e Bandar Abbas, no sul do Irã. O Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, principal comando militar conjunto iraniano, condenou os ataques americanos como um "ato flagrante de agressão", ameaçando uma "resposta devastadora" e alertando que Teerã não permitirá interferência dos EUA na administração do estreito.
Anteriormente, Ghalibaf havia classificado a implementação do acordo de cessar-fogo com os EUA como "difícil, mas possível". Em conversas recentes, ele reafirmou o apoio iraniano à "frente de resistência", termo usado para descrever grupos armados regionais apoiados pela República Islâmica, e declarou que o Irã "não tem paz com os EUA e não reconhecerá Israel". O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, já havia alertado que as negociações para um acordo definitivo com Washington permaneceriam congeladas caso os EUA continuassem com as ameaças de novos ataques.