Irã e EUA trocam ataques no Oriente Médio e elevam tensão regional
Irã ataca bases americanas no Kuwait e Bahrein em retaliação a bombardeios dos EUA. Trump ameaça 'grande ataque' e eleva tensão na região.

A tensão entre Irã e Estados Unidos escalou no Oriente Médio com uma troca de ataques militares. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã assumiu a responsabilidade por ataques a bases militares americanas no Kuwait e no Bahrein, ocorridos na madrugada desta quarta-feira (8). A ação iraniana é uma retaliação aos bombardeios aéreos realizados pelos EUA contra alvos estratégicos no sul do Irã na terça-feira (7).
Segundo a mídia estatal iraniana, os ataques americanos teriam resultado na morte de oito militares do país, pertencentes à Força Aérea e à Marinha. As vítimas teriam sido atingidas em bombardeios nas cidades de Bandar Abbas e Bushehr. As forças americanas, através do Comando Central (Centcom), confirmaram a ofensiva que atingiu cerca de 90 alvos, incluindo sistemas de defesa aérea, radares e depósitos de mísseis e drones, com o objetivo de conter ameaças à navegação comercial no Estreito de Ormuz.
Essa nova rodada de ataques dos EUA deu continuidade a uma operação anterior, na terça-feira (7), quando o Centcom atacou 80 alvos e destruiu mais de 60 embarcações da Guarda Revolucionária. Os Estados Unidos justificam as ações afirmando que o Irã violou um acordo de cessar-fogo firmado em junho ao atacar três navios mercantes na região. O Centcom declarou que a ofensiva visava impor "custos elevados" ao Irã pela agressão a embarcações civis em uma rota marítima crucial para o comércio mundial de petróleo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu às ações iranianas declarando que o acordo de paz com o Irã "acabou" e ameaçou uma "grande ataque" em retaliação. "Isto é uma retaliação ao bombardeio de navios pelo Irã ontem. Se acontecer de novo, será muito pior!", escreveu Trump em suas redes sociais, classificando os líderes iranianos como "cruéis e violentos". Ele também alertou que, se necessário, os EUA poderiam cortar sistemas de energia e estações de tratamento de água no Irã.
Em resposta às ameaças de Trump, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, repudiou o tom do presidente americano, afirmando que o país não responde à "vulgaridade com vulgaridade, mas com ações". Teerã também ameaçou expandir os ataques para outras bases americanas na região caso os EUA voltem a agredir o país. A Guarda Revolucionária afirmou que os mísseis americanos destruíram duas pontes em províncias orientais e que a investida de Washington poderia ter sido uma tentativa de ofuscar a repercussão do cortejo fúnebre do aiatolá Ali Khamenei.
A escalada da tensão levou à ativação de sirenes de emergência em países aliados dos EUA na região, que colocaram seus sistemas de defesa aérea em prontidão máxima. O Irã já havia ameaçado fechar o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% das exportações globais de petróleo, caso novos ataques ocorressem. A situação gerou preocupação internacional com a estabilidade do Oriente Médio.