Irã critica plano dos EUA de usar ativos iranianos para indenizar navios

Irã critica plano dos EUA de usar ativos iranianos para indenizar navios como 'precedente incendiário'. Tensão aumenta no Estreito de Ormuz após ameaças mútuas e rejeição de cessar-fogo.

Irã critica plano dos EUA de usar ativos iranianos para indenizar navios

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, criticou veementemente o plano anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de utilizar ativos iranianos apreendidos para cobrir futuros danos a navios e cargas. Araghchi classificou a iniciativa como um "precedente incendiário", alertando para as sérias consequências que a normalização da confiscação de bens de outros países pode acarretar para a segurança global dos ativos.

## Tensão Elevada no Estreito de Ormuz

A declaração de Araghchi surge em meio a uma escalada de tensões no Estreito de Ormuz. Trump afirmou que qualquer dano causado a embarcações, cargas ou bens relacionados ao transporte marítimo seria compensado com recursos iranianos sob controle americano. Essa postura foi anunciada um dia após os EUA terem ameaçado bombardear infraestruturas no Irã caso navios fossem atacados na estratégica rota marítima.

Em sua conta em redes sociais, o ministro iraniano alertou para o potencial de "caos" gerado por tais ações. Ele enfatizou que a apreensão de ativos por um governo pode colocar em risco a segurança dos bens de qualquer nação, sugerindo que ninguém estaria imune a futuras confiscações. Trump declarou que os prejuízos poderiam ser "muito substanciais", mas considerou a medida "justa e equitativa". Detalhes sobre quais ativos específicos seriam utilizados ou o mecanismo jurídico para tal pagamento não foram divulgados.

## Rejeição de Proposta e Relações Diplomáticas

Paralelamente, o Irã rejeitou uma proposta de cessar-fogo apresentada por Trump, que foi intermediada pelo primeiro-ministro do Iraque. Embora os pormenores da oferta não tenham sido revelados, autoridades iranianas indicaram ao jornal The New York Times que não havia interesse em um acordo temporário que não abordasse a questão do controle do Estreito de Ormuz. Araghchi também mencionou que o Iraque compartilhou impressões sobre suas conversas em Washington, mas reiterou que a comunicação entre Irã e EUA já conta com intermediários suficientes, descartando a falta de canais diplomáticos como um problema.

A crise diplomática se intensificou com a ameaça de Trump de destruir infraestruturas iranianas em retaliação a qualquer ataque a navios no Estreito de Ormuz, independentemente do tipo de armamento utilizado pelo Irã.