Irã ataca bases nos EUA no Bahrein e Kuwait após retaliação americana

Irã ataca bases dos EUA no Bahrein e Kuwait em retaliação a bombardeios americanos. Tensão no Estreito de Ormuz aumenta após violação do cessar-fogo e revogação de licença de petróleo.

Irã ataca bases nos EUA no Bahrein e Kuwait após retaliação americana

A Guarda Revolucionária do Irã anunciou nesta quarta-feira (8) ter lançado mísseis e drones contra instalações militares dos Estados Unidos localizadas no Bahrein e no Kuwait. A ofensiva iraniana surge como resposta direta a uma nova onda de bombardeios promovida pelos EUA contra o país persa, os quais foram motivados por ataques iranianos a petroleiros no Estreito de Ormuz.

Segundo o comunicado iraniano, a operação conjunta visou importantes bases americanas em Bandar Salman, no Bahrein, e na Base Aérea Ali Al Salem, no Kuwait. Adicionalmente, o Irã afirmou ter abatido um drone MQ-9 dos EUA que estaria tentando interferir na ação. Sirenes de ataque aéreo foram acionadas no Bahrein e no Kuwait, com o exército kuwaitiano confirmando que suas defesas aéreas estavam em alerta contra ataques hostis de mísseis e drones.

O Comando Central dos EUA (CENTCOM) informou que mais de 60 embarcações de pequeno porte da Guarda Revolucionária Islâmica foram alvos dos ataques americanos. O objetivo seria impor um alto custo ao Irã pela violação do cessar-fogo e os ataques à navegação. O CENTCOM classificou a ação iraniana como "uma violação clara e perigosa do cessar-fogo e compromete a liberdade de navegação".

Em resposta, o alto comando militar conjunto do Irã, Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, condenou os ataques dos EUA como "um ato flagrante de agressão", prometendo uma "resposta esmagadora" e advertindo contra qualquer interferência na gestão do estreito. Mohammad Bagher Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano, acusou os EUA de violarem o acordo de cessar-fogo, citando não apenas os ataques militares recentes, mas também a retomada de sanções ao petróleo, violações no Estreito de Hormuz e ataques israelenses ao Líbano, declarando que "a era de intimidação e extorsão acabou".

Relatos da mídia iraniana indicaram explosões na Ilha de Kharg, principal centro de exportação de petróleo do país, além das ilhas de Qeshm e nas cidades portuárias de Sirik e Bandar Abbas, no sul. Um oficial americano confirmou à Reuters que os ataques visaram sistemas de defesa aérea, radares costeiros, mísseis e locais de lançamento de drones iranianos. Embora não tenham sido reportadas mortes de civis no Irã, fontes estatais mencionaram feridos em um píer comercial em Sirik devido a estilhaços, e danos a píeres de pesca em Sirik e Bandar Abbas.

Estes eventos representam um grave revés para o frágil acordo de cessar-fogo firmado entre os dois países no mês anterior. A decisão dos EUA de revogar uma licença que permitia ao Irã vender petróleo no mercado internacional, anunciada na terça-feira (7), já havia provocado uma alta de mais de 3% nos preços do petróleo. A retirada dessa concessão, que dava prazo até 17 de julho para o encerramento das transações, aumenta a pressão sobre o Irã, que detém uma vantagem estratégica considerável pelo controle do Estreito de Hormuz.